Então é Natal...

Eu poderia odiar o Natal. Sabe, ser uma dessas pessoas que praguejam contra o apelo capitalista da data, a quantidade desnecessária de uvas passas ou o copo vermelho da Starbucks. Eu poderia simplesmente ser uma pessoa mais Ano Novo. Show da virada. Praia grande. Roupa branca e rasteirinha.

Para ajudar, não sou cristã, minha família se odeia demais para conviver em harmonia por uma noite, guardo péssimas lembranças de amigos secretos (incluindo a bola de vôlei furada que ganhei na 4a. série), acho nozes sem graça e tenho pânico de shopping lotado. Mais que motivos suficientes para incorporar o Grinch, certo?

Só que eu não odeio a data. Pelo contrário, sou quase a Izzie Stevens louca do Natal. Não sei bem se é a ideia de compartilhar lembranças - onde estávamos no Natal de 2016? -, a magia das luzes/músicas/cidade decorada, ou mesmo o espírito natalino, que faz com que as pessoas falsamente ou não transpareçam mais bondade nessa época. No fim, compro a ideia e acabo acreditando piamente que todo 25 de Dezembro vai ser incrível.

ms. otimismo, prazer
O espírito do Natal tomou conta aqui em casa já no mês passado, quando acompanhamos a transformação da Disney num grande parque papai noel-ístico. Tendo casado com um ser humano que consegue se empolgar com a data ainda mais do que eu, já foram algumas várias fotos de pinheiros decorados, somados a carols cantados à exaustão. Fizemos até uma lista de filmes para maratonar até o dia 25 e, até agora, já cumprimos ElfChristmas with the KranksHome Alone 2National Lampoon's Christmas Vacations, Miracle in the 24th StreetThe Santa Clause e The Family Man (favorito ♥ ).

acordamos e essa belezinha estava montada no lobby do disney's grand californian hotel
Como estaremos na Flórida com os sogros (so much for my white xmas, fuén), a decoração aqui de casa foi tímida, mas com dignidade. Mesmo quando eu passava meus Natais sozinha (mãe na escala de plantão: uma realidade natalina), sempre tratei de manter o clima da data. Seja um pisca pisca na janela, uma rabanada feita na calada da noite, um Nightmare Before Christmas no SBT antes de dormir. Eu gosto de tradições. Elas importam exatamente porque fazem com que a gente se sinta parte de algo maior. Como se toda a humanidade estivesse também, naquele momento, celebrando a esperança, a generosidade e a união (ms. otimismo, não disse?).



cookies natalinos (abóbora com gotas de chocolate) - receita aqui
No mais, estou com um certo bloqueio criativo e vocês podem me flagrar apelando para alguma tag/blogagem coletiva/projeto fotográfico nos próximos dias. Se eu não aparecer até lá, já fica aqui meu desejo de Feliz Natal para todos :*

Black Friday wishlist

É fato que a gente passa por várias mudanças bruscas irreversíveis durante toda a vida. Algumas universalmente reconhecidas; puberdade, passar na faculdade, pagar a primeira conta, etc, e outras que dizem respeito apenas a nós mesmos.

Assim como todo mundo que já passou ao menos da pré adolescência, também sofri alguns desses wake up calls da vida, sendo um dos maiores quando descobri que estava doente lá pelo finalzinho de 2013.

Porque não foi só o meu corpo que, de nunca-pego-nem-gripe, passou a precisar de visitas intermináveis a hospitais, tratamentos, exames incômodos e remédios hardcore. Também não foi só o namoro que acabou, com o ex fugindo para as colinas por não estar pronto para lidar com ~gente doente~. Todo o resto em mim mudou. A forma como eu via as pessoas ao meu redor, como eu buscava meus objetivos, como eu definia minhas prioridades, e até pequenices, como meu jeito de usar a internet e a decoração do meu quarto.

Lembro que foi bem nessa época que eu assisti a essa palestra no TED, e comecei a pesquisar um pouco mais sobre Minimalismo e outras "técnicas para se viver melhor" (nome meio piegas-auto-ajuda, eu sei). É nessa minha pastinha mental que eu misturo os low poos, a hortinha caseira, o espiritismo, o pensar duas vezes antes de escrever qualquer coisa, em qualquer lugar.


Em relação ao consumismo, confesso que nunca fui de gastar o que eu não tinha (minha mão de vaquice é mais forte que eu), mas eu fazia questão de ter um guarda roupas sempre abarrotado, incontáveis produtos de maquiagem os quais eu não usava nem a metade, além de sentir uma necessidade vital de sempre comprar alguma peça da coleção nova do Fulano by C&A (eu era consumista, não rica). Essa questão das roupas se tornou um vício incontrolável, a ponto de eu me sentir incompleta e depressiva quando não dava tempo de comprar algo novo na semana.

Mas, claro, tudo isso passou quando eu fiquei doente, porque né. Eu tinha coisas mais importantes para me preocupar. De repente estar bem e cuidar da saúde era mais crucial que comprar aquela bolsa nova que ~toda blogueira está usando~. É pesado dizer isso, mas hoje em dia eu tenho a completa noção de como essa época me salvou da pessoa ridícula e mesquinha que eu estava me tornando.

Não que eu tenha me tornado um ser iluminado (apesar de ter me casado com um). Bem longe disso. Não me considero sequer minimalista, só uma simpatizante da filosofia. Sequer sigo fórmulas prontas pela internet (ex. capsule wardrobe), pois tenho pouquíssima disciplina com regras; vou comprando conforme tenho necessidade mesmo, respeitando minha própria mudança gradual.

O resultado é que praticamente não gastei com roupa esse ano. Aliás, passei boa parte de 2016 vivendo com menos de 15 peças no armário, pois o resto do meu guarda roupas só veio do Brasil mês passado. E, juro, não senti falta alguma de variar no look do dia.

Amanhã é a Black Friday e o marido insistiu para eu fazer uma lista de última hora. Anotei um pijama de frio, um casaco de neve e algumas meias. Ele reclamou, disse que os preços estão ótimos e eu deveria aproveitar. Mas eu simplesmente não sinto necessidade de mais nada.

What you don't have, you don't need it now.

Here comes the sun

Eu nunca sonhei em me casar. Espera, deixa eu consertar isso. Eu sempre quis um casamento; chegar em casa e ter alguém para contar meu dia, cozinhar, viajar, planejar as economias, ver todas as séries e envelhecer juntos. Mais ou menos igual ao comecinho de Up, sabem? O que eu nunca quis mesmo era uma festa de casamento.

Só que o casamento, como eu venho aprendendo a cada dia, é uma equação de duas variáveis. E o y dessa equação não estava tão contente assim com uma celebração fast food.
Concordei com a cerimônia (fake, porque já estávamos casados). Concordei com uma recepção. Concordei em chamar a família de outros estados (e outro país). Quando eu me dei conta, já estava envolta em uma bola de neve, na qual eu precisava tomar decisões importantíssimas como escolher entre 5 tipos diferentes de centros de mesa, ou entre 10 cores de toalhas.

Me estressei? Muito. Valeu a pena? Valeu. Depois que passa a entrada ao altar (ao som de Here Comes the Sun, fiz questão), e você se dá conta de que não levou um tombo - de salto 15, na grama -, tudo fica bem mais leve. O máximo de leveza que passar o restante das 4 horas com um vestido de 4 kg permite, claro.

Menos ideologia, por favor!

Eu jurei para mim mesma jamais falar de política aqui no blog. Aliás, eu prometi largar essa vida de discussões eleitorais pela internet quando percebi, ainda ano passado, que elas pouco estimulavam qualquer debate enriquecedor, seja porque a maior parte da população "já escolheu seu lado", seja porque a internet é aquele maravilhoso mundo dos trolls, onde ninguém quer saber de se entender mesmo.

Acontece que esse post não é exatamente sobre política. Ou é, mas, digamos, como uma licença poética.

Há uns 3 meses, em uma noite entediante - que saudades do meu tédio noturno -, eu resolvi conduzir uma espécie de estudo social no meu Facebook: saí mandando mensagem para todo mundo com quem eu não conversava há anos, perguntando como estava a vida, puxando assuntos específicos (se nos tornamos amigos virtuais por algum ponto em comum - jogos, grupos, etc), querendo saber como a pessoa estava se sentindo, se eu podia ajudar de alguma forma, etc.

O objetivo inicial era manter contato, claro, mas eu confesso que também queria curiar as transformações interessantes pelas quais as pessoas passam num período de alguns anos. E acabou sendo um 'teste' realmente enriquecedor; li histórias tristes, algumas emocionantes, relatos cômicos, e, que bom, a maioria com quase-finais felizes - já que, bate na madeira, ainda não chegamos ao final propriamente dito. Gente que superou doença grave, gente que trocou de profissão, gente que tinha um sonho que, mais tarde, descobriu ser uma grande roubada, e, claro, gente que não saiu do lugar (e isso nem de longe é ruim, também sou dessas que não mexe em time que está ganhando).

Duas considerações que tirei dessa experiência foram:

1. surpreendentemente ou não, homens pareceram mais "agressivos" na abordagem ("mas para que você resolveu falar comigo só agora?"). Que fique bem claro que eu nunca ignorei nenhum amigo na rede, e que eu estava ali, a exato um clique de distância, tanto quanto a pessoa também estava.
2. muitas pessoas precisam de um ombro amigo, mas têm vergonha/medo/receio/orgulho de pedir ajuda, mesmo a virtual. Assustou quanta gente começou a desabafar comigo, enquanto eu - claro, não sou psicóloga -  me identificava com as situações e desabafava junto. Uma troca de sentimentos e experiências que estavam ali, prontas para acontecer, mas que por uma distância física e, pasmem, virtual, simplesmente não acontecia.

Mas, Kari, o que isso tudo tem a ver com política? Ok, para combinar com a pauta, eu menti. O fato é que eu tirei três considerações dessa experiência. E a terceira foi que, nos últimos anos, as pessoas acabaram se bipolarizando até o ponto de, muitas vezes, inviabilizarem uma cacetada de relações humanas.

Existiu esse terceiro grupo, de 4 ou 5 indivíduos, que, assim que eu mandei um oi-inicial-sem-compromisso, já saiu descarregando política em cima de mim. Tudo em forma de questionário, como que para conferir minhas ideologias, antes de conceder a grande honra de suas conversas. Pois é, você não sabia? Parece que agora precisa de carteirinha de partido só para bater um papo.

Como eu fiquei na blasé, forçando um tá, mas e a família? e tentando mudar o foco para uma conversa o mais saudável possível, os queridos partiram para outras abordagens; ou simplesmente passaram a me ignorar ou a espalhar uma onda de terrorismo ("tô perguntando porque, aqui no Brasil, quem tem inclinação para o partido tal não pode mais sair na rua, viu?" - Mas quê?). E se quer saber, nem adianta eu alegar que isso é coisa de gentinha do partido X, porque não é. Eu tenho certeza que, se eu fosse mais inclinada ao X, grupinho Y faria o mesmo.

Isso me fez pensar bastante, porque às vezes, juro, eu me sinto até meio excluída da blogosfera. Já não compactuo com boa parte da ideologia predominante no meio, e, as partes que eu concordo, não sinto a menor necessidade de escrever a respeito em todo e qualquer texto. Parece que, nessa era de extremos, muita gente decidiu se tornar uma espécie de "vigilante da justiça social", e, pela própria natureza do cargo, precisa deixar isso bem claro a todo momento. É doutrina político-sociológica para todo lado, em análise de filme, em resenha de maquiagem, e eu já não sei bem como lidar. 

Ou até sei; deixo de comentar em muito post de blog que eu gosto, porque mamãe me ensinou que, se você não tem nada de bom para dizer, melhor ficar calada. Aliás, até em grupo blogueiro de facebook eu evito assuntos polêmicos, já que, muitas vezes, fica bem claro o quanto não se trata de uma discussão, mas sim de um alistamento, no qual discordantes serão virtualmente linchados. Na sede de espalhar enfiar goela abaixo amor dogma político, segue-se um festival de hipocrisia, com direito a muita falta de respeito e má vontade com o coleguinha.

E isso não é exclusivo do Brasil, todo mundo sabe como as coisas andam bem divididas por aqui também. Ok, acho que o Brasil anda pior (por causa do momento político-financeiro delicado que nos encontramos), mas basta uma voltinha pelos comentários na página do Huffington post, ou do Wall Street Journal, para assistir o que parece uma guerra mundial de pólos, sem espaço para aquele velho vamos conversar, eu colaboro com você, você cede um pouco também.

Semanas atrás eu decidi ir ao rally do Gary Johnson, um candidato de third party com poucas chances de ganhar, mas, aparentemente, algumas propostas interessantes. E, no fim, era disso que eu estava atrás mesmo; ideias e soluções, ao invés do festival de insultos da quinta série que vêm sendo promovido pelos candidatos dos extremos.


O que aconteceu foi que, aquele dia, presenciei muito mais que um discurso político manjado. Dado que a indicação dos candidatos de cada partido desagradou em grande parte os eleitores por aqui, muitos acabaram procurando uma alternativa. Sabe, para ver se o mundo volta a girar mesmo, ao invés de ficar parado enquanto a esquerda e a direita medem forças. E, durante o rally, acabei assistindo essa cena que anda em falta na internet; uma união de ideologias diferentes, dispostas a trabalhar e a ceder por um propósito comum. Um mar de camisetas do Bernie, batendo palmas para discurso de ex-governador republicano, enquanto a pauta seguia rumos.

Isso não significa que eu torça cegamente para Gary (estou me dando uma licença para falar de política aqui, mas não taaanto assim), mas sim que eu finalmente passei a acreditar na possibilidade de se unir em outras vertentes que não os extremos. Gary falava sobre ser contra a pena de morte, o que desagradava os conservadores, mas proclamava a favor da Second Amendment, o que deixava os liberais insatisfeitos. Só que ele explicava suas escolhas (e falava abertamente sobre suas mudanças de posição ao longo dos anos), sem revoltas, violência verbal ou imposições, o que fazia as pessoas ouvirem, participarem, e quererem saber mais.

Olha, a não ser que você seja um zumbi de cabresto, acho tarefa impossível encontrar um representante, ou um grupo ideológico, com que você se identifique 100%. Pequenas concessões se fazem mais que necessárias, ainda mais quando a gente cresce a escala e pensa em um território com milhões de habitantes, cada um com sua experiência pessoal e modus operandi. O que não dá mais é engolir a agenda de quem bate o pé e afirma que TEM QUE SER DO MEU JEITO E DOS MEUS TRUTAS PORQUE É ASSIM QUE A GENTE VAI CONSEGUIR A PAZ. O quê? Você acha mesmo que as pessoas vão pensar "nossa, agora que ele está impondo, consegui ver toda a verdade. Obrigada por me iluminar"? Ou será que isso só vai dividir as pessoas mais ainda? Ou, pior, será que não é esse o objetivo de certas ideologias mesmo, especialmente aquelas que se apoiam no enfoque "novela" para funcionar? Porque é o que mais tem por aí, né. Gente sendo rude e autoritária para depois ainda querer denunciar a maldade vilanesca do outro, que não enxergou a clara beleza e razão do seu argumento-de-mocinho. Pudera, né, colega.

Tive de editar esse post só para colocar esse quadrinho perfeito da Sarah Biegler
Olha, talvez eu esteja sendo muito unicórnio feat. arco-íris pensando que as coisas poderiam ser resolvidas com concessões. Ainda mais em uma época que não parece mais haver espaço para brainstorm, só afirmações generalizadas, na direção do "se não acha o mesmo que eu, está passando vergonha""minha empatia é real, a sua é close errado" ou "sou especialista em medir prioridade entre seres humanos e, mais ainda, sei exatamente o que é o melhor para a vida de cada um deles". Mas, o fato é que, para mim, o atual brado fervoroso da internet parece que só reforça divisões e animosidades, contribuindo cada vez menos com causas que precisavam ser mais debatidas e compreendidas. A mensagem pode ser importante, mas a forma que usamos ao transmiti-la é a chave para estimular a empatia. Ou seja, menos pregação cega-grosseira-sarcástica-autoritária e mais compreensão para com o próximo. Compreensão de verdade, sabe, principalmente com aqueles que não concordam com você.

Resumo de Julho

Eu tinha essa ideia inicial de escrever um post de metas para cada mês. Porém, dada minha dificuldade crônica com listas de resoluções (e depois de ler esse texto budista sobre ansiedade), achei que seria muito mais proveitoso fazer um balanço do mês que passou.
É quase um "cheat code" para a vida: se listas de coisas a fazer te causam muita apreensão, você vai anotando as atividades conforme as termina. Assim, além de me sentir mais produtiva ticando metas que já concluí (ha), ainda aproveito para deixar registradas todas as coisas boas ou não que aconteceram no último mês:


Participei da minha primeira festa patriota
Apesar de já ter passeado pela cidade durante o Memorial Day, o 4th of July foi a primeira comemoração norte-americana que participei de fato; com direito a parade, multidão, comida típica e fogos. Foi divertido e emocionante ao mesmo tempo, já que eu podia sentir o apego que as pessoas têm por essa terra, e suas tradições, a cada segundo. Pensei no quanto é esse amor incondicional pelo próprio país que cria a união capaz de superar muitas das tragédias que ocorrem por aqui, e o quanto eu queria levar só um pouquinho desse patriotismo para o meu país.


Abandonei um livro
Já fazia algum tempo que eu não tomava a triste decisão de largar uma leitura na metade. Mesmo durante o Claros Sinais de Loucura - a pior leitura de 2016 até agora -, eu consegui sobreviver até o final
pulando alguns parágrafos. Já o Under The Dome não teve jeito; eu entrava em desespero a cada cena irrelevante sendo descrita nos mínimos detalhes, enquanto o enredo simplesmente não evoluía. Para piorar, o livro não é dos menores, e, depois de páginas e páginas de enrolação, tudo que eu via era o Kindle acusar 1% de avanço. Como dizem por aí, a vida é muito curta, não sou obrigada, etc etc: decidi largar. Troquei para o próximo da lista, The Knife of Never Letting Go, que não é dos primores literários, mas definitivamente enche muito menos linguiça.

Pratiquei exercícios
Depois de todo o meu ode ao Pokémon Go no último post, admito que meu ritmo do jogo acabou decaindo um pouco. O motivo maior foram as péssimas atualizações, como o tracking que, ao invés de arrumarem, simplesmente excluíram do sistema. Sem vontade de sair por aí sem rumo, contando com a sorte para seguir qualquer coisa que não um Pidgey ou Rattata, acabei reduzindo as caçadas para uma vez ao dia.Ainda assim, o jogo me rendeu muitas corridas e caminhadas no mês, e eu amei poder aproveitar o verão, enquanto relembrava minha infância. Um dos dias mais divertidos foi quando levamos a filha de uma amiga para um evento de Pokémon no parque. Ela ficou tão feliz, que a mãe escreveu um texto de agradecimento super fofo no meu facebook <3.

"mas os jovens vão virar zumbis mimimi". Engraçado que nunca vi tanto movimento e socialização nesse parque :P

Testei uma receita nova
Ok, eu não sou exatamente uma amante da cozinha. Para falar a verdade, eu sou bem da turma do tem para comprar pronto? e só cozinho por obrigação (e para não morrer de fome) mesmo. Dito isso, em raros lampejos de motivação culinária, ainda acabo testando alguma receita nova ou sigo algum vídeo facinho do youtube. Eu adoro os videos da Tamara, porque as receitas são simples e bem explicadinhas, com ingredientes não muito difíceis de achar por aqui. Esse macarrão acabou sendo um sucesso aqui em casa, além de ser super prático e tomar pouquíssimo do meu tempo
e paciência.

Fotografei pores do sol
Também falei um pouco sobre isso no post do Pokémon Go: estar fora de casa jogando rendeu alguns pores do sol que eu sequer prestaria atenção em outras situações. Amei tirar fotos das montanhas com a iluminação do finalzinho do dia, além de conhecer parques novos e outras áreas verdes. Acho que, apesar de gostar bastante da neve, vou sentir uma saudade absurda do verão.

Ganhei uma viagem
Uma das notícias mais legais do mês foi, com certeza, ter ganhado uma viagem para a Disney/Universal, na Califórnia. Eu só conheço os parques de Orlando, e estou super animada para visitar o espaço novo do Harry Potter (e constatar se é igualzinho ao antigo mesmo). A viagem vai ser só daqui a uns meses, mas já estou aproveitando as dicas das amigas que foram e planejando em um roteiro legal para seguir :D.

mimos disneísticos que vieram com as passagens e ingressos

Eu até considerei a possibilidade de participar do BEDA esse ano, mas acho que a gente tem que saber reconhecer uma batalha perdida. Eu não ia me sentir bem tendo me comprometido com o projeto e, por falta de tempo, não conseguir cumprir. Ainda assim, estou acompanhando vários blogs participantes e amando essa movimentação.  Já fazia um tempo que a blogosfera precisava de uma sacudida mesmo. Torço muito para que isso motive várias pessoas a voltar/continuar com os blogs e que, quem sabe, larguem as newsletters de uma vez  :P.

Precisamos falar sobre Pokémon GO

Eu fui uma daquelas crianças que cresceu assistindo a Rede Manchete e todo tipo de animação que deixaria o mundo-politicamente-correto-que-adora-interferir-na-educação-do-filho-dos-outros de hoje em dia, de cabelo em pé. Os desenhos da época, que depois da falecida tiveram de ser acompanhados no Cartoon mesmo, continham toda uma lista de corrompimento de criancinhas; armas, tortura, sangue, nudez, objetificação do corpo feminino, violência, violência e mais violência.

Pokémon, apesar de fofinho, não fugia muito a regra; um menino de 10 anos saía sozinho pelo mundo, capturando e aprisionando animais silvestres, para colocá-los em batalhas uns contra os outros, por seu benefício próprio. Pois é, qualquer defensor dos animais (eu!) ficaria escandalizado com a remota possibilidade de "incentivo", mas eram os anos 90 e, graças aos deuses, ainda não existia Facebook, textão ou problematizações diversas. O resultado? A maioria das pessoas enxergava o anime como ele realmente era (um desenho, nada mais), e, no fim, acredite ou não, sobrevivemos.

justiça seja feita, o desenho também ensinava sobre amizade e amor aos animais

Anos se passaram, as crianças cresceram, doaram suas figurinhas e brindes do guaraná caçulinha (;__;), e, por fim, abandonaram o sonho de se tornar um Mestre Pokémon. Tudo bem que jogos continuaram a ser produzidos, mas a vibe já não era mais a mesma, pelo menos não para muitos fãs antigos.

Foi aí que uma empresa chamada Niantic, juntamente com a já-meio-mal-das-pernas Nintendo, resolveram ressuscitar as criaturinhas em forma de um jogo de realidade aumentada para celular, no qual você pode sair pela sua cidade capturando pokémons virtuais.
Pra quê.
Eu já sabia que seria algo que eu gostaria muito de jogar, mais em nome dos velhos tempos, que pelas reviews não muito animadoras. De fato, depois que deixaram claro que não haveria batalha com pokémons selvagens, e que, mesmo as presentes no jogo, não seriam por turnos (como nos jogos clássicos), meu coraçãozinho murchou. Talvez não fosse dessa vez que eu relembraria meus anos catchin'em all.
Mesmo com essa pequena desconfiança, baixei o aplicativo no primeiro dia de lançamento. A ideia toda era sair de casa, então fui caminhando pelo condomínio, enquanto o jogo pedia para que eu escolhesse meu inicial. Já tinha ouvido falar das dificuldades de se encontrar espécies de água em lugares seco como Utah, então resolvi ir de Squirtle, me sentindo um tantinho traidora pela minha infância e meus anos como treinadora de Charmanders.

Inicial escolhido, prossegui a caminhada e, assim como Ash Ketchum da cidade de Pallet, encontrei meu primeiro Pidgey. Como que por instinto, lancei a pokébola, cruzei os dedos para o bichinho não sair, a pokébola deu uma tremidinha, ele não saiu.  Novo registro na sua pokédex, dizia o jogo, e me animei absurdo. Andei um pouquinho mais a frente, me deparei com um Rattata; mais uma pokébola lançada, mais uma mini torcidinha, e era isso, já estava apaixonada.

uma ponyta no meio do caminho; um drowzee na rua de casa; meu primeiro ginásio

Pokémon GO mudou tanto a rotina aqui de casa que, eu, com minha carteirinha do clube de sedentários, agora saio para correr ou caminhar ao menos duas vezes por dia. De manhãzinha é uma caminhada mais leve até a praça, para abastecer meus itens no PokéStop, e, à noite, com o noivo, adquirimos o costume de sair por aí e descobrir novos parques e áreas verdes. Ele, que não acompanhou o desenho quando criança, já sabe o nome de, pelo menos, uns 20 bichinhos e seus "graus de raridade". E ainda parte para a liderança na hora de lançar as pokébolas, "ah, deixa eu, Ká!", enquanto o fisioterapeuta, que aconselhou caminhadas para melhorar suas dores nas costas, saltita de feliz.

só um dos pores do sol que jogar pokémon GO tem me proporcionado

Não só as melhoras no campo das atividades físicas, o jogo ainda possibilitou uma interação com desconhecidos que eu jamais teria em outra situação. Ou seja, fiz até amiguinhos ♥. Gente me puxando de lado no shopping para perguntar como o jogo funciona, gente dando dicas de onde eu posso encontrar determinada criatura, gente programando encontrinhos no facebook, gente que grita, no meio do parque, um pokémon que acabou de aparecer e faz todo mundo se juntar ali, com um objetivo bobinho, eu sei, mas leve e divertido. Quem conhece os americanos, e sabe o quão fechados eles são com estranhos, pode imaginar o quão inovador essa dinâmica do jogo acabou sendo.

O jogo tem pontos negativos? Tem. E esse artigo aponta exatamente os que me incomodam. Mas o jogo pode ser usado para o bem? Também. E esses são só al-gu-ns exemplos de como Pokémon GO está aumentando a incidência de amor na sociedade.
Não esqueça de usar protetor solar e levar uma garrafinha com água para suas caçadas. E aproveite, enquanto caminha, para usar o app Wooftrax, que faz doações para abrigos de animais baseado nas suas passadas :). Bora pegar todos!

O que aconteceu aqui?

Uma das coisas que mais me apavoram nesse mundo blogueiro sempre foi a falta de privacidade. De 14 anos nessa vidinha, calculo pelo menos metade deles em sistemas fechados (saudades, livejournal), ou com posts completamente desatualizados, graças a um medão in?-justificado de me expor. Claro, existe ainda todo um histórico de bloqueio criativo, semestres puxados na faculdade e saco cheio de internet, mas só eu sei o quanto minha timidez virtual tem sua parcela de culpa nesses hiatus.

Eu nunca fui de divulgar o blog pessoal para colegas de trabalho ou "conhecidos", inclusive sempre tomei o devido cuidado de evitar que algumas dessas pessoas chegassem até ele. Veja bem, acho lindo quem compartilha tudo nas redes sociais - se for canal do youtube então, nível de desprendimento ultra mega master que jamais vou alcançar nessa vida -, mas eu nunca me sentiria confortável sabendo que o mocinho do rh, ou a tia do ex-namorado, leram exatamente o que eu penso sobre as doutrinas sociais duvidosas que eles insistem em defender.

Na verdade, acho que estou sendo até superficial; essa questão vai muito além de convívio profissional barra liberdade de expressão. É, principalmente, poder impor limites no quanto os tais acquaintances sabem sobre você, e no quanto isso pode afetar suas relações sociais obrigatórias. Uma coisa são seus amigos, virtuais ou não, pessoas que você associou à sua vida por livre e espontânea vontade, lendo e dividindo experiências sobre vida amorosa e crises existenciais. Outra, bem diferente, são as pessoas que a vida impôs a você.


Bom, agora que você já está inteirado sobre meu leve pânico associado a privacidade & blogs pessoais, posso te contar exatamente o que aconteceu em uma tarde de terça-feira. Para resumir, aquela outra rede social fez o favorzão de mandar convite para curtir a página do blog assim, para todo mundo, sem filtros e sem minha permissão. Tá, não foi bem desse jeito, desconfio que tenha acontecido em um daqueles meus momentos super pacientes, de sair clicando OK para tudo quanto é aviso, mas ainda assim, por razões óbvias, não era minha intenção.

Depois de passar pelos 5 estágios do luto (isso porque estou suavizando o drama aqui), percebi que já estava mesmo descontente com a proposta do blog há algum tempo. Preferi fechar tudo e recomeçar, dessa vez usando meu antigo domínio, e voltando a ser o diarinho que me trouxe a esse mundo blogueiro em primeiro lugar. Mantive alguns dos posts impessoais, trouxe textos do antigo blogspot, dei um tapa no layout, e, em uma corajosa empreitada para vencer minha vergonhinha virtual, escrevi até uma dessas páginas Sobre mim.

Ainda quero falar sobre viagens, literatura, culinária e fazer resenhas, porém usando menos uma ótica impessoal, e mais minha própria perspectiva. Blogs de dicas são legais e tudo, mas minha paciência acaba quando a adaptação SEO friendly começa. Em tempo, não fiz uma página na outra rede social para esse blog. Acho melhor assim.

Insconstância bloguística

Você já jogou The Sims? Se já, pode ter acontecido alguma vez de fazer exatamente o que eu sempre faço: depois de horas construindo paredes, escolhendo piso, testando com precisão qual a melhor esquina para colocar o chuveiro ou o sofá, naquele momento de, enfim, apertar o play e jogar, você se sentir saturado, sem vontade, pensando nas horas que perdeu e na pilha de trabalhos por fazer. E desligar, sem nem de fato começar o jogo.

Não é bem uma questão de não concluir projetos, mas de gastar tanta energia com o planejamento que, quando chega a hora de colocar em prática, aquilo já não faz mais sentido. Essa não é a primeira vez que eu começo um segundo blog, e, logo depois de perder semanas (re)aprendendo a mexer no Photoshop e no Wordpress, simplesmente enjoo. Eu não sei bem se meu problema é a obrigação que crio com o blog, ou é se minha fobia com a falta de privacidade falando mais alto.

Eu sempre senti que o Blogger significava um lugar seguro para escoar pensamentos, sem pressões. O "meu querido diário" num universo onde escrita importa mais que apresentação. Assim, quando eu decidi me aventurar lá fora, pelas águas de hospedagem e layout responsivo, acabei me sentindo afogada numa série de obrigações bestas que eu mesma me impus. Todo um mar de divulgação, fotografias especialmente produzidas e textos SEO friendly para os quais eu não tinha muita paciência.

De longe, a divulgação é o que mais me aterrorizou. Veja bem, eu acho lindo quem tem um blog todo aberto, compartilhado no facebook, com comentários da vizinha, do chefe, das colegas do trabalho, mas eu não consigo ser assim. Sinto um certo pânico de pensar em gente "conhecida"- aquele pessoal que você só trocou um sorrisinho educado na sala do café (mas que, claro, já saiu te adicionando no facebook) -, lendo tudo que eu escrevo, julgando minhas fotos, entrando sem qualquer rodeio ou permissão na minha vida pessoal.

Ter blog é uma coisa intimamente ligada a internet para mim. Desde quando ganhei um computador, meus primeiros sites na lista de favoritos foram blogs. Foi uma amiga de blog que viu primeiro meu nome na lista dos aprovados da fuvest, por causa de um blog conheci meu primeiro namorado e, graças aos blogs, me apaixonei por programação, muito antes da primeira aula de java na faculdade.
Dito isso, apesar de não conseguir ficar sem, também não estou pronta para dar o próximo passo. Tudo bem, fotografar e planejar um post pode ser divertido, se eu tomar o devido cuidado de não transformar isso em uma obrigação. Agora, compartilhar link nas redes sociais, com o facebook "sugerindo" a página para toda a minha lista de acquaintances? Chego a suar frio.

Meu lugar vai continuar aqui. Pelo menos por enquanto.

Resenha: Samsung S7

Quando comprei o IPhone 5c, a minha intenção era passar, no mínimo, uns 5 anos com ele. Não sou de trocar celular com frequência e tinha acabado de aposentar meu Samsung S3 de guerra, quando ele apagou completamente, depois de passar pelo menos um ano com a tela soltando pedacinhos.

Por esse trauma com a tela quebrada, minha escolha pela Apple foi pura e simplesmente baseada na resistência. E deu certo; o Iphone 5c voou, capotou, despencou - de variadas alturas, em diferentes superfícies -, e continua quase intacto.

iphone 5c: um dos poucos arranhões, depois de mais de 1 ano sem capinha (foto tirada com o s7)
Acontece que o meu 5c é brasileiro de corpo, alma e Anatel, e parece não suportar o clima da nova casa. Toda vez que eu saía na neve, a bateria descarregava em questão de minutos. Tudo bem, pensei em comprar uma bateria genérica no ebay e trocar eu mesma, com ajuda daqueles tutoriais super profissionais do Youtube, que usam um secador de cabelo (?) para abrir a tampa.

Foi aí que, um belo dia, dando uma voltinha na Best Buy, reparei nos novos Samsung. Ok, boa fluidez, ok, temas personalizáveis, ok... que câmera! Ali na loja mesmo bati uma macro de dar inveja ao meu IPhonezinho. Já tinha brincado mil vezes com os novos celulares na loja da Apple e nenhum tinha me impressionado a ponto de desistir da ideia de apenas trocar a bateria do meu. Pronto, fiquei com aquele Samsung na cabeça.

Eu já vinha pensando em comprar uma câmera melhorzinha há algum tempo, mas me incomodava muito a ideia de viajar por aí carregando um peso, quando sou aquela pessoa que já tem gastura só de sair de casa com um casaquinho a tiracolo. Veja bem, como usuária casual, achei que seria muito esforço só para tirar umas fotinhos de vez em quando.

No fim, acabei ganhando o S7 no Dia dos Namorados. Estou adorando e ainda tentando entender como aguentei tanto tempo sem memória expansível, sem explorador de arquivos, sem ícones personalizáveis, cheio de complicações na hora de colocar vídeos e músicas, e com toda aquela poluição de aplicativos na Home.

apaixonada por esse tema "Sunday Morning" - gatinho olhando pela janela e ícones brancos com corações
Sobre as quedas, tive de colocar uma proteção na tela e prometer a mim mesma jamais tirar a capinha, já que dá para sentir o material-vagabundo a fragilidade do aparelho. Também não acho ele muito bonito comparado aos Iphones (perfeito aquele ouro rosé ♥ ♥ ♥), mas, além do preto ser discreto, pelo menos a versão não-edge é compacta e fácil de manusear.

Não testei mergulhá-lo na água (nem vou, que desespero), e também não gostei da recarga rápida (o celular chega a ferver!), mas já tirei algumas fotos para teste, baixei meus aplicativos e constatei que perdi todos os meus mementos do Neko Atsume T_T. Também ainda não recebi o Gear VR que vem de graça ao comprar o celular (segundo a Samsung, pode demorar até 6 semanas), para dizer se é ou não um atrativo da marca.
Na verdade, o que eu mais quero é esse dure ao menos minha meta de 5 anos, chega a ser ofensivo um objeto tão caro ser tão descartável.

foto tirada com o carro em movimento - museu de ciências, dallas
landscape - draper, utah
selfie (câmera frontal)
macro
urban landscape - dallas, texas
baixa luminosidade
Deixei todas as fotos do post sem filtros (também não utilizei nenhum aplicativo para brilho, contraste, nitidez, etc), para mostrar exatamente a qualidade das fotos do aparelho (e seus pontos fracos). Todas foram tiradas no modo automático, lembrando que a câmera possui também modo profissional - outra coisa que sentia muita falta no Iphone.
Aproveitei o novo incentivo fotográfico para dar uma organizada no feed do instagram. Se quiser ver mais exemplos de fotos com o s7, segue lá: @kari_pss.

Heritage Park, Utah

Esses dias eu estava me sentindo assim; uma estranha no ninho. Dá uma certa ansiedade quando eu penso em tudo que eu sei sobre minha cidade natal, os anos de transformações que acompanhei, como consigo identificar cada pedacinho, cultura, história, e aqui eu ainda não conheço quase nada.

Foi daí que surgiu a ideia de conhecer um pouco da parte histórica de Utah, mais precisamente o Parque Heritage. Foi nessa locação que, em 1847, Brigham Young, liderando um grupo de mórmons, avistou pela primeira vez o vale (onde hoje fica a capital), dizendo: "Esse é o lugar!" (This is the place, como também é conhecido o parque). Há muito os praticantes dessa religião fugiam de perseguições ao longo dos EUA e  procuravam essa terra, que acreditam ser prometida por Deus.


Park City, Utah

fonte: Hikes and Lakes
Se eu pudesse dar uma dica de um único lugar para visitar em Utah, certamente seria Park City.
Essa cidadezinha fica localizada a aproximadamente 48 km da capital, Salt Lake e foi eleita a melhor cidade dos EUA em 2013. Ela é conhecida por suas estações de esqui, por sediar as Olimpíadas de Inverno em 2002, e por apresentar anualmente o Sundance Film Festival, o maior festival de cinema independente dos EUA.

Ingredientes: Brasil x Estados Unidos

Confesso que cozinhar nunca foi meu forte, mas, como mudar de país também significa independência da comida da mamãe, ultimamente estou sendo forçada a aprender uma ou outra coisa na cozinha.


É muito fácil manter o cardápio brasileiro mais simples por aqui. Em qualquer mercado encontramos arroz (long-grain rice) e feijão (no pacote cru, ou em lata pré-cozido). Os cortes de carnes costumam ser mais grossos, mas o filé de frango, peixes e carne moída são iguais. O problema mesmo é quando queremos seguir alguma receita brasileira mais elaborada.

Se você mora em uma cidade grande, com uma boa presença de estrangeiros (Miami, Boston, Nova Jersey, etc), a chance de encontrar um mercado com opções de ingredientes brasileiros é grande (em NJ existe até um mercado só assim). Agora... Se você estiver em cidades menores, como a que eu moro, provavelmente vai acabar tendo de fazer algumas adaptações.


Farinha de Trigo
Quando a receita no Brasil pede essa farinha, normalmente usamos a All-Purpose Flour aqui. Normalmente, porque se você for fazer um bolo, existe a opção de usar a "Cake Flour" também. A nossa farinha de trigo contém 12% de proteína e a All Purpose Flour contém de 10 a 13%. Já a Cake Flour contém de 8 a 9% e o bolo acaba saindo mais fofinho, porém, caso você opte por usá-la, terá de fazer uma adaptação na medida da receita; 1 xícara de farinha será 1 xícara + 2 colheres de sopa de Cake Flour.


Creme de Leite
Esses dias eu quis fazer um quiche que a Tamara ensinou no blog dela, e não sabia bem qual seria o creme de leite. Aqui temos half half, table cream, heavy cream, sour cream, socorro! Depois de uma pesquisa na internet, descobri que o ideal seria o Table Cream, ou Media Crema, como vem escrito na latinha da Nestlé, que contém entre 18 e 30% de gordura. Nosso creme de leite de caixinha no Brasil tem entre 17% e 20% e o de lata contém aproxidamente 25% de gordura. Vi muita gente aconselhando a usar o "Heavy Cream" no lugar do creme de leite também, mas tenha em mente que esse contém entre 36% e 40% de gordura.


Fermento
Aqui se usa o Baking Powder, que é o bicarbonato de sódio com amido e ácido em pó. No entanto, se a receita estiver pedindo bicarbonato de sódio ao invés do fermento, você deve comprar o "Baking Soda". Agora, se o que vc precisar for o fermento biológico, o equivalente aqui será o "Yeast", que é a levedura seca, em formato de pó.


Polenta
A farinha usada para fazer polenta recebe o nome de Coarse Cornmeal (às vezes também é encontrada como "Coarse Polenta"). Ele é um tipo da Cornmeal, ou farinha de milho, que também pode ser encontrada fina, grossa, branca ou amarela. A Yellow Cornmeal não é indicada para o preparo da polenta, pois é uma farinha bem mais fininha e a polenta sairá mais pastosa.


Maizena
O amido de milho tem o nome de Cornstarch, e também pode ser encontrado como Cornflour.


Biscoito Champagne
Usado em várias receitas de doces gostosos no Brasil, o biscoito champagne aqui é conhecido como Lady Fingers Cookie. Não é muito fácil de achar e, até agora, eu só encontrei uma única vez, em outra cidade.



Alguns alimentos eu já procurei em todos os mercados da região e nada; requeijão (cream cheese não fica igual), gelatina incolor, farinha de rosca e farinha de milho biju (cuscuz paulista com yellow cornmeal saiu absurdamente errado).
Uma saída, caso você precise de algum ingrediente brasileiro difícil, por incrível que pareça, é a Amazon. O problema é que um saquinho de farinha de milho biju sai pela bagatela de U$8, e quatro potinhos de requeijão por U$32, ou seja, você tem que precisar MUITO mesmo :(.


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Las Vegas, baby!


Mês passado, resolvemos, de impulso, pegar o carro e passar o final de semana em Las Vegas.

Utah é relativamente perto, gastamos um total de 6 horas até lá, e essa região montanhosa faz com que o tempo na estrada seja menos cansativo. Você sabe que está chegando em Vegas uma meia hora antes, já que a cidade é absurdamente iluminada e algumas construções são possíveis de se ver bem ao longe.

Do meu Carnaval

Abram alas, Fevereiro chegou. Semana de Carnaval, muita folia, muito bloquinho, muito confete, muito neguinho da beija flor, mas só que não.

Aqui, na Terra do Tio Sam, também foi final de semana de festa, mas com um motivo diferente, o tal Super Bowl. Tudo bem, não tem gente semi nua na tv (às vezes tem, mas não é encarado com a mesma naturalidade), não tem samba no pé (poxa, se isso não for muito gingado, o que seria então?) e não tem feriado (não que não esteja sendo pleiteado), mas tem sim muita gente colorida na rua, muita farra, cerveja, romance, e after parties.

bloquinho laranja e azul. fonte.
Foi minha primeira festa-de-futebol-americano, e, posso dizer com segurança; por aqui, eles têm Copa do Mundo uma vez ao ano. Incrível como o domingo se transformou; o trânsito tinha cara de segunda-feira e era como se a cidade inteira estivesse concentrada na fila do supermercado. Ao passar umas tortillas e jalapeños, a caixa já foi logo engatando um small talk - "Preparando para o Super Bowl? :)" -, estavam todos na mesma expectativa.

Eu comecei a temporada sacando nadinha desse futebol, que, já fui logo reclamando, não se joga bem com o foot. Foram muitos videos de regras básicas no youtube, muitos gritos de comemoração para o time errado, muitos "mas por que eles não tentam avançar mais uma vez ao invés de chutar?". Até que peguei gosto. Escolhi os Denver Broncos, porque, além de ser um dos primeiros times que vi jogar, achei esse tal de Peyton Manning engraçadinho nos comerciais. Pareceu bom moço, sabe?

Então os jogos foram acontecendo, eu peguei raivinha de alguns times (ver os Patriots jogar é como assistir a um videobook de Tom Brady. Até quando o rapaz está no banco, é só ele que mostram) e peguei amor por outros (os Green Bay Packers são só simpatia também). Nos últimos jogos eu já estava viciada, de subir no sofá e xingar o juíz, o técnico, a defesa, comemorar touchdown gritando e fazendo dancinha; porque, amigos, é assim que se torce no meu país.

No final das contas, o Denver Broncos foi para a final, e todo mundo disse que seria massacrado. Tudo bem, ainda assim tinha festa e comida na casa de amigos, Beyoncé e Coldplay para amenizar. Uma das partes mais divertidas foram os comerciais que, eu não sabia, eram todos feito especialmente para o intervalo, alguns com uma qualidade absurda de filme (vide o do Homem-formiga vs Hulk). Tudo muito tranquilo, tudo muito favorável, até que o meu mais-novo-time-favorito surpreendeu e eu pude ter a alegria de vê-los ganhar meu primeiro SuperBowl. Comemorei, pulei, e, só de graça, ainda embolsei $75 na aposta ¯\_(ツ)_/¯ .

- Layout

Aquele tema básico já estava me dando nos nervos, então resolvi colocar um pouco de briga com o css na minha vida, por que não? Depois de imagens que insistiam em ficar onde eu não queria, consegui mudar um pouco a cara do blog. A foto do perfil ficou assim, meio ex-bbb decadente viciada em snapchat, mas foi a única que combinou.

- 2016 Reading Challenge

Li "O Homem do Castelo Alto" e achei o livro um perfeito exemplo de uma boa ideia mal executada. Não sei se eu que esperei demais (eu acreditei que seria quase um "1984", uma distopia cheia de descrições e suspense), mas, para mim, faltou ambientação (e qualquer clímax). Ainda não assisti a série, mas, só o trailer já me empolgou muito mais que o livro inteiro.

ps.: A maratona Oscar anda capenga. Ano passado foi tão fácil assistir os indicados, da lista desse ano, sinceramente, ainda não sei se vou ter paciência para assistir Brooklin ou Revenant.

Das histórias de des-amor

Essa semana, entre leituras sobre o Tinder e desavenças amorosas-barra-finais felizes no blog da Analu e newsletter da Anna Vitória, me lembrei de uma história de desamor mais ou menos com internet, que me aconteceu há 6 anos, quando aplicativos de paquera ainda não estavam aí para dar uma forcinha.

O ano era 2010, época dourada de orkut e raríssimos casos de internet no celular. Eu caminhava para o ponto de ônibus, muito provavelmente no pior humor possível, já que, novidade, estava atrasada para o trabalho. Ele já estava lá, parado perto da escadaria, naquele ponto deserto, calça jeans levemente apertada e moletom hipster, barba por fazer – confesso, não sou fã -, e cara de tédio, já que, como mencionado acima, os tempos de rosto enfiado no celular 24-7 estavam apenas no comecinho. Parei no ponto, dei uma olhadinha, ele me ignorou, fiz a blasé, vida que segue.

Semanas passam, lá estou eu, atrasada para o trabalho novamente (talvez tenha sido uns 2 dias depois, dada a minha falta de pontualidade frequente), quando me deparo com o mesmo mocinho parado no ponto. Dessa vez me permiti reparar melhor no quanto lindinho ele era - leia-se encaradas pouco discretas- , e logo meu cérebro já estava maquinando como poderia encontrá-lo mais vezes, já que isso parecia acontecer quando, ao invés de 10 para as 8, eu saía às 8h30. Conclusão pouco óbvia: No dia seguinte, me atrasei de propósito. Só que, como meus planos nunca saem exatamente como eu quero, dessa vez acabei perdendo a linha, com o perdão do trocadilho; saí às 8h40 e ainda tive tempo de ver o ônibus subindo a rua, quando, ignorando toda a falta de sensualidade na cena, corri meia maratona e ainda tive tempo de ver o bonitinho mas ordinário subindo no busão, enquanto olhava para minha cara e poderia muito bem ter segurado o motorista mais uns segundinhos para mim.


O amor morreu por um mês talvez; sou dessas, que fica de mal de estranhos que sequer se dão conta da minha existência. Isso até que um dia, novamente atrasada, novamente dando de cara com o dito cujo no ponto, resolvi que ficar nos olhares com um guri que certamente não estava interessado e, ainda por cima, não segurava o ônibus para mim, só poderia ser cilada. O negócio é que, dessa vez, ele que não parava de me olhar. Assim, na caruda mesmo, de me fazer até checar se não tinha alguém acenando para ele atrás de mim. E tomamos o ônibus, descemos na estação, ele caminhando perto de mim, pegou o mesmo sentido do metrô e sentou no banco bem em frente. E nisso foram uns trinta minutos de olhadelas e sorrisos desajeitados, da Jabaquara à Luz, até que chegou minha vez de desembarcar.

Fiquei esperando a porta ao lado dele abrir, e ele encostou na minha mão. Perguntou se eu trabalhava na próxima estação, se morava perto do ponto, e eu, quase tremendo de nervoso, afinal nunca tinha flertadinho no metrô antes, retribui perguntando onde ele estudava (Anhembi Morumbi), e até qual estação iria. A porta do metrô abriu, tive de sair rápido e me dei conta que tinha esquecido de perguntar o nome dele. Esqueci simplesmente a parte mais importante da conversa. Tudo bem, dia seguinte o veria de novo e, claramente, já estava perdoado pelo incidente do ônibus.

Foram uns 5 dias saindo cedo, para não correr o risco de chegar atrasada demais da conta, e deixando ônibus após ônibus passar, enquanto esperava ele chegar no ponto. Lembrando hoje em dia, eu não consigo deixar de dar risada, porque jamais faria isso de novo por carinha bonitinho algum, afinal tenho mais o que fazer das minhas manhãs (leia-se dormir mais 5 minutos). Mas ser jovem é uma beleza, e eu esperei pacientemente a semana toda.

Chegando à conclusão que ele deveria estar de férias do estágio ou qualquer coisa assim, resolvi recorrer aos métodos modernos para me dar uma forcinha com o futuro pai dos meus filhos. Estava tudo muito romântico e paulistano até então, mas vivemos em pleno séc XXI e a tecnologia está aí para ser usada. A parte mágica da coisa foi que sabe-se lá por quê, eu coloquei na cabeça que o nome dele era Rodrigo. Ele tinha cara de Rodrigo. Eu sou dessas pessoas que acha que as pessoas têm cara de nome, e que, muitas vezes, sofre para aprender o nome certo. E lá fui eu; Orkut > Comunidades > “Anhembi Morumbi” > “Rodrigo” pesquisar.

Seria um final de tirar o fôlego dizer que o encontrei, que mandei inbox, que batemos certinho, namoramos e que só o destino para pregar uma peça dessas. Mas o fato é que, bem, o encontrei mesmo. E o nome dele era Rodrigo mesmo. Só que ele escrevia “contigo” separado ('estamos com tigo! s2'), “a gente” junto, e tinha como ídolo supremo o Elieser do BBB. Acabou o amor de vez. E passei a ir para o trabalho bem mais cedo todos os dias.


~ Tv e Filmes

Resolvi pegar para ver "How to Get Away With Murder" em um dia desses, de bloqueio criativo no Netflix. Resultado: estamos viciados, namorado e eu, e já sofrendo porque só a primeira temporada está disponível. Viola Davis é diva eterna.
Semana passada fomos ao Festival Sundance de Cinema em Park City e assistimos “The Lovers and the Despot”. O filme conta a história real de uma estrela do cinema e um diretor famoso na Coréia do Sul, raptados por Kim Jong-il e obrigados a fazer filmes para a Coréia do Norte. Acabei embarcando na vibe e aproveitei para assistir “The Propaganda Game”, no Netflix, que fala sobre o poder da propaganda do regime na Coréia do Norte. Para quem também ama documentários, fica a recomendação dos dois.

~ Leituras

Finalmente comecei a ler O Homem do Castelo Alto. Já estava na minha lista há meio século, mas depois de assistir o documentário sobre a II Guerra Mundial em cores no Netflix, achei que o assunto estava fresco na cabeça o suficiente para conseguir acompanhar as analogias do livro. Acontece que o namorado decidiu que queria ler também e resolvemos fazer esse Clube da Leitura de dois. Vou te dizer, é bem complicado ler em duplinha, já que eu tenho mais tempo livre e acabo tentando não avançar muito na frente dele. Por isso, nas horas vagas estou lendo “O Segredo de Jasper”, que ainda não me empolgou. Estou com medo de ter lido “O Sol é para todos” muito cedo esse ano e ter estragado todas as leituras seguintes, porque ninguém jamais vai ser como a Scout <3.

Resoluções

Já tem um tempo que eu descobri que resoluções de ano novo não são para mim. Em primeiro lugar, minha memória é péssima e, por mais que eu escreva uma dúzia delas, a chance é que eu não me lembre de uma sequer já no dia primeiro. Além disso, já foram 31 anos tomando na cara aprendendo que a vida percorre rumos inesperados demais para eu cogitar seguir uma lista. Coisa de passar o réveillon de 2015 derretendo num calor sufocante, e estar na janela nas primeiras horas de 2016, olhando a neve cair lá fora.


O fato é que, mesmo não tendo uma lista para seguir, me bateu essa sensação de ter deixado coisas inacabadas demais esse ano - algumas por teimosia, muitas por preguiça, uma ou outra por imaturidade. Convenhamos, 2015 foi um ano que passou e a gente nem viu, mas, apesar de rápido, a maioria das pessoas que eu conheço não via a hora de estar livre dele. Veja bem, não detestei 2015 - pelo contrário, foi um dos melhores anos -, mas achei que seria bom, se não fazer uma lista de resoluções, pelo menos deixar registradas algumas diretrizes para aquilo que me incomodou e eu não queria que se repetisse.

Menos debates políticos
Eu cansei. Aliás, eu cansei há muito tempo, mas sempre tive aquele senso de obrigação moral para saber de todas as notícias, buscar argumentos, ter uma opinião política formada. Não quero mais. Eu não sei se isso me faz uma pessoa completamente alienada ou não, mas certamente me faz uma pessoa mais feliz. Claro, ainda acho o Trump um completo idiota, a Dilma uma cabeça de vento e o Alckmin um lobo em pele de cordeiro, mas eu não preciso estar informada sobre tudo que os envolve o tempo todo. Dado que já vou ser obrigada a "exercer meu direito de cidadã" em Outubro, a época de campanha política é o suficiente para me inteirar sobre política e votar em paz, sem alardes.

Mais fotos
Se você reparar no meu instagram, vai perceber que tem épocas em que eu tiro quase uma foto por dia (ou até mais) e então meses que não surge um post sequer. Pois é, esse é um dos indicativos se estou passando por dias bons ou ruins, e, de alguma forma, isso me incomoda absurdo. Tirar uma foto é prestar atenção, reparar nos detalhes, se deixar sentir algo. E quando eu estou passando por uma época ruim, eu acabo vivendo no automático, deixo de sentir e sigo quase o tempo todo de olhos fechados para tudo. Não que eu queira estipular uma meta tipo 365project, já falei ali em cima da minha dificuldade com listas, mas desejo reparar ao meu redor e tirar mais fotos em 2016, mesmo nas semanas difíceis.

Mais amor
Não tem jeito, eu sou uma pessoa de extremos. Eu amo muita coisa, mas odeio um monte delas também. E eu sempre quero deixar isso muito claro, o que acaba gerando várias animosidades (por exemplo, estou terminantemente proibida de expressar minha opinião negativa sobre Star Wars aqui em casa). Minha intenção sempre foi encontrar outras pessoas com as quais eu pudesse me identificar, mas, sendo captain obvious aqui, não vale a pena. Unir pelo amor conta muito mais pontinhos na escala social e, admito, é muito mais gostoso. Pretendo diminuir drasticamente minhas manifestações negativas em 2016 e procurar me focar mais nas coisas que eu amo.

Menos expectativas
Crie gatinhos, cachorrinhos, um pinterest organizado, mas não crie expectativas. Pois é, eu fui uma verdadeira apicultora de expectativas em 2015 e... deu tudo errado. Admito que o resultado acabou saindo muito melhor, mas ainda assim, eu sofri um monte no caminho. Expectativas são boas se trabalhadas com probabilidades e, de preferência, uma probabilidade próxima a 99,99% de acontecer o que você quer. Em 2016 pretendo esperar menos das pessoas, das situações, da minha própria sorte.


Acho que é isso. Parece curta, mas, de novo, isso não é uma lista de resoluções. Para mim, já estaria ótimo se 2016 me surpreendesse positivamente tanto quanto 2015 foi um boom na minha cara. Feliz 2016!
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