Atualizações de Primavera

Esses dias me bateu uma vontade de escrever no blog, mas eu achei que ficaria um tanto estranho aparecer aqui do nada, com um assunto aleatório, sem dar qualquer satisfação sobre meu sumiço nos últimos meses.
Pois bem, como vocês devem imaginar, minha mais-óbvia-e-recorrente desculpa é o famigerado último semestre do mestrado.

Não posso deixar de ressaltar que, chegando nessa reta final, a faculdade se desfez em desânimo. Principalmente nas últimas semanas, tudo o que eu mais queria da vida era terminá-la. Simplesmente já não tinha mais a mesma disposição para tantos projetos, provas, listas de exercícios, trabalhos em grupo, aulas, apresentações, grupos de estudos, etc etc. Eu estava saturada, e sentia que já não havia espaço no cérebro para enfiar mais coisas.
É inegável que aprendi muito até aqui, e que o mestrado abriu portas que jamais seriam abertas de outra forma. No entanto, entrar naquela sala de aula no último mês era ter a certeza de que o mundo acadêmico precisava finalmente ficar para trás. Era hora de ter uma ~vida normal~; acordar, ir para o trabalho, voltar, deitar no sofá e assistir Netflix até dormir, sem culpa alguma por não estar adiantando as toneladas de lição no lugar.

Eu sempre fui a louca ~acadêmica~. Graças ao bacharelado em período integral, comecei a trabalhar muito tarde e, quando comecei, tratei de me enterrar em mais livros/cursinhos para passar em um concurso melhor.
Quando passei, mudei de país e lá fui me enfiar em mais uma faculdade. Eu simplesmente não sei uma maneira melhor de progredir, e, mesmo sendo mais complicado, estudar sempre me pareceu o caminho mais óbvio.

Finalmente acabou, e, bem, sobrevivi. Estudar nos Estados Unidos não foi nem de longe o bicho de sete cabeças que eu achava que seria, mas estudar E trabalhar continua sendo uma roubada em qualquer lugar do mundo. Foram muitas noites de 4 horas de sono, muitas idas à biblioteca no meio da nevasca, muitos finais de semana trancada no porão/escritório, e muito (!) shampoo a seco, porque tempo para lavar o cabelo não havia.


Pode parecer pouco, ou "só um papel", mas o diploma me fez sentir como se minha transição estivesse - finalmente - completa. Praticamente uma validação de que eu realmente faço parte dessa "sociedade", de que agora tenho um espacinho só meu por aqui.

Como lido com minha ansiedade digital

Eu não nasci em um mundo online. Pelo contrário, correndo o risco de me sentir uma senhorinha explicando isso, posso contar ao menos uns 10 anos de consultas à Barsa, até que finalmente tivesse um login da AOL para chamar de meu.


Lá no começo, a internet ainda era relativamente fácil de lidar. Dois ou três sites de busca, primitivos canais de comunicação, meia dúzia de blogs - todos diarinho, sem qualquer pretensão monetária. A vida era muito mais simples em baixa resolução, e ainda havia toda essa tela vazia, com o perdão do trocadilho, para que criássemos o que nossa imaginação permitisse a 56Kbps.
Se você nasceu pós anos 2000 e não faz a menor ideia do que eu estou falando, aconselho a visitar o site do Space Jam (que é algo que você provavelmente também não sabe o que é) e tentar imaginar toda uma internet desse jeitinho. Sentiu o drama? Podemos continuar.
Foi lá para 2003, eu diria, que a internet explodiu e a coisa toda passou a desandar um bocado. De repente já não estávamos mais lidando com duendes anônimos que, por pura bondade, disponibilizavam templates ou skins gratuitos para o The Sims. Não, agora era gente de verdade, com nome, foto e buddy poke, que preferia usar o mesmo espaço criativo para odiar, ofender, e esfregar na nossa cara (num shift irônico com o mundo aqui fora), que a internet possuía um padrão a ser seguido, e não nos enquadrávamos nele. Pois é, e você aí, achando que isso começou na era Pugliesi, ha.

Não me entenda mal, poucas coisas me irritam mais do que gente digital-fóbica dizendo que a internet é só horrores, e que adolescente tem mais é que desconectar e ir dar uma volta no parque. Não que você não tenha de manter seu nível aceitável de vitamina D, não é isso, mas, na minha concepção, abrir o coursera e simplesmente aprender como desenhar histórias em quadrinhos em uma tarde pode ser, sim, igualmente incrível e proveitoso. Ainda me lembro das horas que passei na frente do computador aprendendo a programar, desvendando o Photoshop, aprimorando meu inglês, criando meu primeiro site, e até fazendo amigos para a vida toda. Repito, a internet era a terra das oportunidades e posso descansar sabendo que, ao menos, fiz proveito do seu lado positivo por um bom tempo.

Em contrapartida, ainda lembro o dia que minhas fotos e textos foram parar em um desses sites que "gongavam" - ainda se usa essa palavra? meu deus, estou velha até para escrever esse texto - blogueiras da época, armando-se, claro, dos argumentos mais misóginos do planeta. Naquele exato momento, acordei para um mundo onde a internet já não era mais um reduto tão seguro e feliz assim de se viver. A negatividade havia ultrapassado a tela, invadido minha redoma offline e se instalado bem ali, dentro do meu quarto.


Desencadeada pelo tal """blog de críticas""", minha insatisfação com a internet acabou sendo alimentada por anos. Talvez seja mesmo o fato de não ter feito parte desse mundo desde que nasci, mas nunca consegui assimilar por completo muitas das práticas naturalizadas pós redes sociais. Por exemplo, eu não conseguia consigo aceitar ser totalmente aberta em um blog, enquanto lida por conhecidos de carne e osso. Também jamais tive a menor curiosidade de saber o que todo e qualquer conhecido da firma almoçou, vestiu ou onde passou as férias. Quero dizer, eu mal dou conta da vida aqui fora, com todas as suas pressões e expectativas, quem dirá essa nova mini-sociedade, com regras de diplomacia, likes moeda, e gatilhos de ansiedade próprios.

Eu sei que parece uma constatação óbvia, mas foram anos até entender exatamente até que ponto essa mistura do real e o virtual não me faziam bem. Por fim, quando me percebi afetada negativamente por conquistas alheias (que absolutamente nada tinham a ver com a minha pessoa!), decidi que precisaria tomar uma atitude. Não apenas o excesso de informação me incomodava - e a Larie fez uma reflexão incrível sobre como isso pode ser prejudicial -, mas o constante reality show da vida alheia, e, por consequência, a sensação de não estar sendo suficiente na minha própria vida.

Decidi que precisaria de uma estratégia. Investigar exatamente quais seriam meus gatilhos, entender melhor de onde vinha minha sede por informação e, finalmente, aprender a trabalhar com a internet, ao invés de me isolar totalmente. Tracei pequenos planos de ação, e, por fim, percebi que criar algumas contenções na parte digital do meu dia-a-dia parecia ser o melhor caminho para a sanidade:


1. Botões de unfollow, mute e unfriend

Perfis de musas fitness, celebridades sem-qualquer-conteúdo-adicional-que-não-seus-imensos-closets, e beldades instagramers sem camisa poderiam, sim, ser o principal foco desse exercício. O fato é que, honestamente, nunca segui nenhuma dessas espécimes nas redes sociais e, por mais que eu tente evitar, desenvolvi até um certo preconceito com esse tipo de utilização para a internet.

O que me fazia mal mesmo eram, muitas vezes, conhecidos. É difícil confessar, mas não era raro estar navegando pelo Facebook e um post que, veja bem, sequer foi direcionado a minha pessoa, causar uma sensação negativa. Bottan falou um pouco sobre essa sensação nesse video, e foi interessante descobrir que boa parte das pessoas sentem a mesma coisa em um momento ou outro.

O que eu faço: Seguindo o estilo Marie Kondo, ao menor sinal de que aquele post não me faz bem, independentemente de quem seja o autor, clico sem hesitar em um dos botões mencionados acima. A amizade continua, a infelicidade não.


2. Discussões online

Tem muita gente ignorante por essa internet de meu deus. Eu sei, você sabe. E os motivos são diversos; falta de educação, preguiça, fake news, etc. Porém, foi depois de muita argumentação infrutífera, e ataques de stress desnecessários, que descobri algo que já deveriam saber há muito tempo: não é meu papel catequizar o mundo das minhas convicções.

Não estou dizendo que não é possível expressar minha opinião; postar aqui no blog, criar um medium, ou até escrever uma posição política em um grupo virtual (dedicado para aquele fim, pelo amor). No entanto, ficar persistindo na discussão, e, principalmente, reforçando meu ponto com ironias e passivo-agressividade ("meu anjo" - abomino!), por melhores que sejam as minhas intenções, não apenas me desgastam, como muitas vezes acabavam tendo o efeito contrário. Como já mencionei nesse texto sobre ideologias: a mensagem pode ser importante, mas a forma que usamos ao transmiti-la é a chave para estimular a empatia.

O que eu faço: Confesso que por vezes chego a ensaiar uma resposta, mas me dou um tempo para postá-la. Cerca de uma hora é mais que o suficiente para me acalmar, esquecer e partir para o próximo video de cachorrinhos.


3. Stalkear

Eu já fui, sim, aquela pessoa que sabe até onde o crush passou o final de semana. Mas existiu um ponto final na minha vida - já falei um pouco sobre isso aqui -  que eu finalmente tive de me colocar contra a parede e questionar O que isso pode me trazer de positivo?

Esse item é particularmente aplicável quando se trata de ex-amigos, ex-namorados, ex-colegas de trabalho ou daquele curso que fiz há 10 anos. Até mesmo com celebridades, existe um certo limiar sobre o quanto eu gostaria de saber. Um novo trabalho? Sim. Quantas coleções de sapatos ou última cirurgia plástica? Definitivamente não.

Posso ser um tanto radical nessa resolução, mas já estamos cansados de saber que as pessoas reais nunca são aquelas das redes. E stalkear é simplesmente se embeber em fantasias que, positivas ou negativas, não acrescentam nada, absolutamente nada, na nossa jornada. Ou seja, pura energia vital jogada fora.

O que eu faço:  Foi mais difícil lá no começo, afinal, curiosidade é um impulso natural do ser humano. Mas depois de inúmeros puxões de orelha em mim mesma, e um exercício brutal de auto controle, aos poucos, passei a me desinteressar. Hoje em dia, não sinto sequer qualquer desejo de saber de mais nada, porque tenho total convicção de ser algo que me faria mais mal do que bem.
Em tempo, quando se trata de artistas que overshare, prefiro só dar uma olhadinha ocasional na página do imdb mesmo.


4. Redes prejudiciais

Isso é muito pessoal, pois conheço gente que se sente muito mal, por exemplo, no Facebook. No meu caso, o Facebook é quase meu reduto feliz. O botão unfollow, já mencionado acima, limpou minha rede de forma que praticamente já não sigo mais seres humanos específicos. A timeline se tornou quase um recanto de receitas veganas, videos de gatinhos e dicas de como fazer uma composteira. Já o instagram nunca me acrescentou muita coisa. Fotos jogadas, muitas vezes sem muito significado, somadas àquela lupa, na qual um clique = um ranço.

No mais, não sou frequentadora assídua do youtube. Reconheço a importância do site, mas tenho uma preguiça imensa dos tais "produtores de conteúdo". Além de sempre me deparar com sugestões de videos que me fazem questionar se a internet realmente foi um avanço para a humanidade, sinto que perdi um tempo precioso do meu dia vendo videos de 20 minutos para conseguir informações que, lendo um texto, levaria 2 minutos ou menos.

O que eu faço: Já mencionei nesse post que decidi deletar meu instagram pessoal. Ainda mantenho um aleatório para as atualizações do blog, mas, por razões citadas no item 1, até que exista ao menos um botão de mute, não me sinto a vontade para voltar.
No caso do youtube, quase não frequento, e procuro sempre blogs sobre o assunto que quero saber antes. Blogs ♡.

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5. Feed & consumismo

Esse é meio óbvio, mas é indescritível o alívio que senti ao limpar o feedly e excluir blogs focados em maquiagens-moda-recebidos-unboxing-comprinhas. Não que eu esteja culpando alguém, o que eu consumo na internet é de total responsabilidade minha, mas sei bem o quanto minha época consumista-desenfreada se deu por constantes visitas a esse tipo de conteúdo.

Está certo que há quem visite esse tipo de blog e não se sinta compelido a comprar nada (e eu tiro o chapéu para essas pessoas), mas, no meu caso, foi melhor me distanciar para sequer cair na tentação.

O que eu faço: Simplesmente não sigo blogs de beleza. Tudo bem, blogs de livros e coisinhas nerds ainda são meu fraco (e eles estão em todos os lugares, socorro!), mas também já não acompanho nenhum religiosamente. O minimalismo me ajudou bastante nessa questão, e também tento fazer minha parte ao não estimular o consumismo nesse espaço.


6. Notificações

De primeira, foi um pouco assustador desligar as notificações do celular, já que moro longe da maioria das pessoas que eu amo. Mas, veja bem, eu era um caso extremo; chegava a pausar meus filmes e séries a cada poucos minutos só para dar uma conferida na barrinha.

Por fim, me veio a iluminação de que checar notificação no celular é quase como ficar abrindo a geladeira; você sabe que não vai encontrar nada que repentinamente mudará sua vida, mas continua a alimentar a ansiedade. Sabe o ditado, notícia ruim chega rápido? Você certamente não vai perder muita coisa por algumas horas que deixa de visualizar as notícias, ou quem fez uma transmissão ao vivo no Facebook. Como a gente dizia na minha época: quem quer, deixa recado. Pois bem, quem quer, deixa um whats.

O que eu faço: Fiz um teste por uma semana: desliguei notificações de Facebook, whatsapp, sms, aplicativos e joguinhos.
Acabei descobrindo o quanto ficar sem aquele constante bipe na minha vida melhorou (e muito) minha concentração, e, por fim, permanecem desligadas. Não querendo ser a louca do mindfulness, mas uma atividade de cada vez.


7. Unfollowers

Por mais que me doa admitir, eu já fui aquela pessoa que vivia conferindo quem me "des-seguiu" em redes sociais e, pasmem, ficava chateadíssima com o ocorrido. Já cheguei até a "caçar" o indivíduo em outras redes para deixar de segui-lo também, em uma clara demonstração de hipocrisia da minha parte.

Hipocrisia porque, como eu mesma já admiti lá no item 1, clico em unfollow sem ressalvas ou discriminações, apenas para diminuir um pouco essa cobrança interna que esse constante sufocamento da vida alheia traz.

Felizmente, eu acabei entendendo (e vou indicar o video da Bottan de novo) que não necessariamente uma pessoa deixou de gostar de você, ou até mesmo do que você posta. O unfollow apenas indica que, naquele momento da vida dela, suas atualizações não acrescentam, ou não a fazem se sentir bem consigo mesma. Não há que se chatear ou se vingar por isso. Correndo o risco de soar repetitiva: a amizade continua, a infelicidade não.

O que eu faço: Deixei de me concentrar em números e deletei todos os aplicativos que indicam quem deixou de te seguir em redes sociais.



No fim, o que funcionou para mim foi respeitar meus próprios limites de ansiedade e trabalhar com eles, controlando minha exposição ao negativo, àquilo que não traz nenhum benefício. Essas simples resoluções têm melhorado bastante minha relação com a internet, culminando em uma convivência (quase) amigável.


E você? Como pratica seu minimalismo digital?

15 costumes diferentes nos Estados Unidos

Mudanças nunca são fáceis, é verdade, mas elas se tornam ainda mais complicadas quando a cultura e os hábitos não encaixam. Apesar de não considerar a cultura americana muito distante da nossa (e isso me ajudou um bocado na adaptação), pequenos costumes chamaram minha atenção desde que cheguei aqui.

Listei alguns deles - os que achei mais interessantes e/ou bizarros -, mas já vou frisando que a lista é altamente baseada no estado de Utah, e pode variar conforme a região do país.


1. Pontualidade

No meu primeiro jantar com amigos, como boa paulistana que sou, saí de casa um tantinho atrasada. Para falar a verdade, eu não contei como um atraso propriamente dito, coisa de poucos minutos.
Ainda assim, logo que entramos no carro, o marido já estava pegando o celular para avisar a todos que chegaríamos aproximadamente 3 minutos atrasados. "Aproximadamente três minutos".
Veja bem, de onde eu venho, 3 minutos é considerado uma pontualidade invejável. Aqui, se tornou uma das minhas primeiras lições de adaptação: americano não lida bem com atraso.


2. Milkshakes

Varia de restaurante para restaurante, mas uma coisa que me irrita bastante é pedir um milkshake em uma rede fast food qualquer, e receber um... copo com sorvete.
Isso mesmo, uma aberração dessas:

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é considerada milkshake por aqui. E, acredite, o atendente, como que para enterrar de vez suas esperanças de uma bebida geladinha, ainda cometerá a blasfêmia de entregá-lo com uma colher.


3. Comer fora

Um costume muito comum, e igualmente irritante, é a "aversão" à faca. Não me entenda mal, em uma churrascaria você provavelmente receberá o utensílio, mas na casa de amigos, comidinhas de food truck, e, claro, pizzarias, terá de explicitamente pedir, ou levar uma faca você mesmo.
Sobre pedidos em restaurante em geral, a quantidade de comida nos pratos americanos costuma ser bem generosa, e é extremamente comum pedir uma caixa de isopor para levar o que sobrou para casa.
Em tempo, água é de graça em todo restaurante, e refil de bebidas como refrigerantes e limonadas também não costuma ser cobrado.


4. Visitas com objetivo

Que os americanos são pessoas muito mais reservadas que os brasileiros, todo mundo já sabe. E uma das consequências desse comportamento são as visitas com objetivos bem específico. Se você vai à casa de alguém (ou convida os amigos) para um almoço, assistir a um jogo, ou jantar, isso significa ir à casa de alguém para aquele objetivo e nada mais. Terminado o almoço, o jogo, ou o jantar, os convidados se levantam, se despedem, e cada um vai para sua casa. Sem muita enrolação.


5. Concorrência explícita

Um hábito que não me atrapalha em nada, mas sempre achei bem esquisito, é a abertura para falar mal da concorrência na televisão. Acostumada com os comerciais brasileiros, nos quais a propaganda comparativa é sempre mais velada, me assustei com o quanto eles expõem os concorrentes, com nomes, imagens dos produtos, gráficos comparativos, etc. Por aqui não tem problema nenhum falar mal da competição, inclusive mostrando a marca de forma explícita:




6. Propagandas de medicamentos

Ainda no mundo dos comerciais, assistir à televisão é sinônimo de ser constantemente bombardeado por propagandas de medicamentos sob prescrição médica. A parte esquisita dessas propagandas é que cerca de 1/3 é dedicada aos benefícios do medicamento, e uns 2/3 aos efeitos colaterais. Coisa de você terminar de assistir o comercial e ter absoluta certeza de que vai morrer se tomar tal remédio.
Alguns exemplos aqui.


7. Máquinas de refrigerante

Não basta coca-cola, fanta, sprite, alguns sucos industrializados e suas versões diet. Máquinas de refrigerantes nos Estados Unidos são verdadeiros parques de diversões gasosos, com inúmeras opções de marcas e sabores. Isso significa ter de tomar uma decisão rápida entre, por exemplo, uma Sprite, diet ou não, e todas as suas variações de sabores: pêssego, baunilha, cereja, laranja, lima, etc.
Não sou muito de beber refrigerante, mas confesso que me divirto misturando os sabores toda vez que vou ao cinema (e recomendo 2/3 de fanta laranja com 1/3 de limonada ).

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8. Drive Thru em banco

Uma das atividades rotineiras que eu menos gosto na vida é ir ao banco. Provavelmente não estou sozinha nessa, já que muitos bancos aqui possuem drive-thru, que facilita (e muito!) o pagamento de determinadas contas. Você para seu carro em uma espécie de caixa eletrônico, e conversa com um atendente por um auto falante. O cheque (e/ou dinheiro) é colocado em uma cápsula, sugada para dentro do banco e devolvida com seu comprovante. Nível elfo doméstico de praticidade.

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9. Vestimenta em locais públicos

Utah é um estado bem voltado para os esportes e a natureza, e isso faz com que as pessoas sejam um pouco menos formais com seus guarda-roupas. É normal encontrar pessoas vestidas de pijama em conjuntos confortáveis de moletom, e meias com chinelos nos mercados, lanchonetes, livrarias, etc, e ninguém transparece reparar e/ou julgar a aparência alheia. Confesso que é bem confortável ir ao mercado, por exemplo, sabendo que não existirá nenhum concurso de moda pelo caminho.


10. Paixão por times de faculdade

A grande maioria dos americanos torce para um time de faculdade que não necessariamente representa a faculdade que estudaram.
Eu diria que times de faculdade aqui equivalem mais ou menos aos clubes de futebol no Brasil, os quais você escolhe conforme a região que nasceu/cresceu, ou as preferências dos seus pais.
Muitos americanos, marido inclusive, são mais fanáticos por esses times que os profissionais, como a NBA ou a NFL.

Utah Utes ♡. fonte da imagem.

11. Escovar os dentes após o almoço

Americanos têm hábitos "normais" de higiene, e isso inclui, claro, banhos diários e visitas frequentes ao dentista. No entanto, o banheiro da firma depois do almoço está sempre vazio, já que eles não têm o costume de escovar os dentes após as refeições, mas apenas chupar uma bala ou mascar um chiclete.


12. Caixa "self service"

Diminuir a quantidade de interações humanas necessárias é um dos meus objetivos na vida, e essas máquinas de self-checkout são o paraíso para quem também não é lá muito social. Você mesmo passa sua compra no código de barras, coloca na sacolinha e paga. Tudo sem precisar engatar uma small talk com ninguém.

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13. Placas de carro

Quando você compra um carro, você pode escolher o design da placa de acordo com o estado onde licencia o veículo. Cada estado possui uma coleção de designs representando monumentos, ou outras características do lugar, além das "placas especiais", as quais você paga uma taxa para apoiar causas,  campanhas, times, faculdades, etc. Para se ter uma ideia, essas são as placas normais em Utah, e essas são as especiais. Acaba sendo sempre divertido, durante road trips, tentar encontrar todas as placas pela estrada.


14. Trânsito

Utah, assim como boa parte do país, é um lugar quase-que-exclusivamente feito para carros, e você acaba se sentindo uma extraterrestre se decide caminhar fora dos bairros residenciais. Além de se ver bem sozinha na empreitada, ainda irá se deparar com longos trechos e avenidas inteiras sem calçada.
Algumas leis de trânsito também acabam sendo confusas, já que conversões em U são perfeitamente normais, assim como virar à direita sempre. Não importa se tem uma faixa de pedestres ali, ou se o farol está fechado, contanto que não tenha um pedestre atravessando, ou um carro a caminho, virar à direita é sempre permitido.


15. Encomendas

Talvez um dos hábitos que mais me assustou no começo. O negócio é o seguinte: se sua encomenda chega e você não está em casa, os entregadores simplesmente a deixam na porta. E lá ela fica até que você a recolha.
Já tive encomendas que ficaram na porta de casa por dias a fio, e fiquei aliviada pela chuva ser evento raro em Utah.

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Apesar de já ter assimilado muita coisa, ainda costumo apontar essas pequenas diferenças sempre que me dou conta. Acredito que todo mundo que se muda para outro lugar (incluindo trocar de região dentro do próprio país, por que não?), não consegue deixar de reparar esses pequenos detalhes que, aos poucos, acabam fazendo parte do nosso cotidiano.

E você? Quais os costumes diferentes de onde mora?

Um breve resumo da viagem ao Japão

Esse mês eu finalmente entrei na reta final do Mestrado; o último e derradeiro semestre. Não antes sem tirar as duas semaninhas do Spring Break, que aproveitei para ir ao Japão com o marido, uma viagem que queríamos fazer já há algum tempo.
Para resumir bem, a aventura consistiu de:

Caminhadas. MUITAS caminhadas.

Acho que nunca andei tanto NA VIDA! O Japão é para ser explorado à pé, dizem, mas o que não dizem é que a maioria das atrações turísticas ficam um tanto longe das estações de trem. Como eu só levei dois keds e uma bota - eu sei, escolhas não muito inteligentes -, meus pés foram os que mais sofreram nessa viagem :(.

Transporte público

Shinkansen, trem, metrô, ônibus, às vezes até todos no mesmo dia. O Japão é o paraíso dos transportes públicos e, acredite em mim, todos eles estão sempre lotados.

Jet lag

Em um dos primeiros dias, voltamos ao hotel lá pelas 18h. Deitamos para descansar antes do jantar e acordamos... no dia seguinte. Às 10h.

Chuva

Tokyo conta com uma média de 105 dias chuvosos no ano. Acredito que o mês de Maio tenha a maior concentração deles, porque meudeusdoceu como chove nessa cidade!

Atravessar qualquer cruzamento ou estação

Ou melhor, "tentar". É tanta gente junta que, juro, dá até um certo pânico de ir de um lado a outro.
Os mais antigos entenderão a referência:

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Ramen

Foram quase 2 semanas se alimentando quase exclusivamente de Ramen e sim, eu passaria a vida inteira comendo isso.
O melhor ramen de todos foi em um restaurante chamado Hassei, em Hiroshima, com duas cozinheiras muito simpáticas ♡.

Doces japoneses

Aprendi que japonês adora doce com sabor de Matcha, aka chá verde. Confesso que não é dos sabores mais gostosos que já experimentei, mas ainda assim ganha do kit kat de wasabi.

Minimalismo

Parece minimalismo, mas é pão durice mesmo. Com exceção de comida e transporte, achei tudo no Japão muito caro comparado aos EUA. Itens de maquiagem, mesmo de marcas de farmácia, como Rimmel e Revlon, chegam a quase o dobro do preço. Para não dizer que não levei nada, comprei um condicionador da Shiseido que experimentei no hotel e gostei :).


Mais chuva

Muito mais. Litros e litros.
Ainda não baixei as fotos da viagem e, para não passar em branco, fiz esses desenhinhos :). A única foto que baixei e postei no facebook foi essa; a vista do hotel em Tokyo, no dia que chegamos:


Para ser sincera, ainda não deu tempo de sentir saudades do Japão. Nem de se recuperar do jet lag. ZzZZzz

Toca fitas

imagem original: ebay
Às vezes eu busco seu nome no google. Você não estava mais aqui na época da internet, mas, tendo um nome comum, corro os olhos por cada linha, com uma esperança absurda de encontrar seu perfil em algum lugar.

Eu não te conheci muito bem. Não sei exatamente seus gostos, seus hobbies. Disseram-me que gostava muito de mim, e às vezes tenho uma certeza enlouquecedora de que foi exatamente em mim que pensou naquele momento.

Tantos segundos roubados. Se você chorou e abraçou a mamãe no meu primeiro dia de aula, como seria quando me visse formada? Na faculdade que você sempre sonhou pra mim? Como seria me ensinar a dirigir, me levar ao altar? Como teria sido a narrativa, a travessia do primeiro limiar?

Eu ainda guardo seu antigo toca-fitas, sabe. Sua voz ainda está lá.

Moon List #1

Queria mesmo chegar aqui e fazer um post imenso sobre a vida, o universo e tudo mais, mas com os exames finais, até meu tempo para lavar o cabelo passou a ser cuidadosamente calculado.
Para me salvar, vi uma tal de Moon List no blog da Tany, e me pareceu um projeto perfeitamente despretensioso para tempos tão atarefados. Pelo o que entendi, a ideia é baseada em um projeto homônimo de um fotógrafo, no qual ele e a esposa escrevem, a cada mês, sobre tópicos que englobam os 30 dias desde a última lua cheia:

Natureza

Utah é lugar que de fato transparece as quatro estações do ano, mas as que eu realmente sinto - ou seja, quando começo a praguejar -, são o inverno e o verão.
Meu contato com a natureza nas últimas semanas consistiu em cavar tirar a neve da frente da garagem, somente para assisti-la preencher toda a calçada poucos minutos depois. O que era lindo em dezembro, se tornou deveras inoportuno em março. As poucas vezes que admirei o clima foi voltando para casa, depois da faculdade + estágio, cansada e sem forças até mesmo para encontrar um lado negativo no frio.



Objeto

Em 2018 eu venho procurado manter hábitos mais ecológicos e sustentáveis, e o grande acerto nesse último mês for ter trocado meu shampoo convencional pelo shampoo sólido. Sem ingredientes sintéticos e com menos impacto ambiental, me achei mesmo na obrigação de tentar.
Confesso que, há uns 6 anos, quando fiz a transição para shampoos sem sulfato e/ou silicones, meu cabelo não aceitou muito bem (veja bem, sou brasileira e não desisti). Porém, dessa vez, foi uma experiência totalmente diferente. Era como se meu cabelo tivesse se libertado de toda a química pesada e agressão em uma lavagem; ele ficou mais macio, volumoso, e com cara de limpo por muito mais tempo.
Lembrei da minha vó, que dizia sempre lavar os cabelos com sabão de coco natural na adolescência, e eu nunca levei a sério. Desculpa, vó. A senhora estava certíssima.

super recomendo.

Surpresa

Ainda em busca de um 2018 mais saudável, eu diria que minha maior surpresa nesses últimos 30 dias foi ter me livrado, finalmente, do Instagram. Eu já sabia que isso iria acontecer, aquele espaço nunca foi mesmo para mim. Não somente a FOMO, mas todo o oceano de vidas 100% perfeitas, paisagens fabricadas, sorrisos infelizes. Ultrapassava a vaidade e se moldava em uma angustia, uma depressão por aquele universo paralelo tedioso. Uma depressão por alguém precisar daquele universo paralelo. Na minha cabeça, não fazia mais sentido reclamar de toda a toxicidade, gatilhos e falta de realismo, porém continuar sendo parte e alimentando tudo aquilo.
Desativei, e, no fim, foi mais simples do que eu esperava. Eu poderia até escrever um textão sobre como a vida melhorou sem o aplicativo, mas a real é que a vida já estava indo (aos trancos e barrancos, como deve ser) bem, obrigada. Apenas me livrei de um gatilho que tentava constantemente me convencer do contrário.


Encontro

Não teve um encontro ao vivo e a cores, mas uma pessoa muito querida veio falar comigo depois de muito tempo. Disse que sentia minha falta, que queria que eu fosse muito feliz. Aquilo fez uma diferença tão grande no meu dia, que eu me perguntei por que eu mesma não paro para mandar essa mesma mensagem para as pessoas que passaram. Acho que eu sou muito do tipo de pessoa que passou, passou. Não morre, mas deixa de existir. Não stalkeio, nem vou atrás. Só deixo passar e virar uma lembrança desfocada de uma outra vida.
Confesso que é uma característica bem conveniente para certos tipos de passageiros, mas outros a gente ainda quer dividir o trem vez ou outra. Nem que só para uma prosinha rápida, um aceno amigável, ou mesmo uma closure, antes de descer na próxima estação.




À noite

Todas as vezes que vou ao cinema, nas noites de sábado ou de terça (cinema a 4 doletas, quem nunca) são especiais. Amo aquele cheiro de carpete velho com pipoca, a falação adolescente na fila dos doces, os quinze minutos escolhendo o sabor do refrigerante (que eu sempre misturo, tipo fanta cereja com sprite pêssego, e faço o marido adivinhar).
Filme ruim, filme bom, não importa. É a expectativa de um novo mundo. A despreocupação de, ao menos por aquelas 2 horas, se deixar levar por outras vidas, novas histórias. Voltar encostada no vidro do carro em silêncio - porque já é meia noite e estamos tão cansados -, e pegar no sono admirando as luzinhas em cada casa do vale.


De dia

Se paro para lembrar do meu último mês, mal consigo ir além de um borrão na escrivaninha. Os únicos dias que se destacam de alguma forma, são os que o marido, com pena da mulher zumbi aqui, faz um convite-intimação a dar um tempo nos livros e sair para tomar um sorvete. Em dias mais aventureiros, veja só, dirigimos até Provo, e provamos algo diferente (ou algo bem comum, como pão de queijo ♡). Mês passado fomos a uma burgueria chamada Chom e experimentamos a Beyond Meat, uma proposta de "carne" vegetariana, com uma textura e gosto até que bem satisfatórios. Aliás, me aprazou tanto que, desde então, só compro "carnes" vegetarianas para casa. Mais uma para a lista do 2018 mais saudável.


Tempo sozinha

Qualquer dia desses eu preciso fazer um texto de ode ao porão, minha parte favorita da casa nova. O plano era transformá-lo em um mini cinema, com projetor e sofá reclinável - como era na época do proprietário anterior -, mas os estudos o transformaram em um recanto silencioso e vazio, onde passo tardes enclausuradas lendo, programando, assistindo video aulas, ou - quando a disposição permite - fazendo yoga solo com a ajuda de aplicativos. Um dia ainda vou retomar a ideia do mini cinema, mas por agora tudo que eu preciso é um espaço aconchegante, onde eu possa me dedicar a mim mesma.


Tempo com um amigo

Ela nunca presenciou de fato, mas esteve comigo em cada caminho. Treze anos de conversas na fila do ônibus, entre as araras das lojas, aguardando o trânsito na Berrini, ou esperando a chuva torrencial da paulicéia dar um tempo debaixo de uma marquise qualquer. Nada mais justo que ela me acompanhe hoje em dia, nos trens por vezes tão gelados, pelas montanhas do vale. Faz todo sentido e eu acho que a vida vai ser assim pra sempre. O telefone sempre vai tocar, e ela sempre vai me atender com um "E aí Kááá", toda animada. Porque ela não é só a melhor pessoa, ela é a minha pessoa. E nunca permitimos que a distância, seja 500 ou 10.000 km, nos afetasse de qualquer forma.


Filme/Tv/Livro Sou suspeita para falar, afinal ela é meu role model fictício desde que virei gente. Em gráficos poligoniais ou hd, lutando contra dinossauros, múmias, ou tentando sobreviver a uma ilha amaldiçoada, não importa. Tudo nela sempre me fascinou; independência, ambição, a não necessidade de macho, capacidade de auto defesa, inteligência. Mesmo eu sendo muito preguiçosa e pobre para sair por aí desbravando lugares inóspitos, sempre sonhei com duas uzi's e uma mansão com um labirinto gigante só para mim.
Ao contrário de muito fã raiz, amei o novo filme, e ainda estou tentando entender como nomearam uma ""heroína"" de saia curta e botinha, tão debilitada por um plot todo romântico-açucarado, como o ícone feminista de 2017. Lara Croft é, e sempre vai ser, o meu exemplo máximo de feminismo.

acredite, uma heroína que não parece estar em uma propaganda de shampoo enquanto luta

Ato Criativo

O pico do meu ato criativo está em exatamente escrever esse post. Como já disse no início, tempo para lavar o cabelo virou luxo, idealize tempo para blogar.
Agradeço imensamente tags como essa, que dão um empurrãozinho quando a mente está exausta demais para uma última arrancada criativa. E torço para que, ao contrário de 99% dos projetos bloguísticos por aí, esse não caia no esquecimento.

ps. Sei que objeto tem duas entradas, mas por uma opção pessoal, resolvi fazer apenas em relação ao novo.

Road trip até Moab, Utah

Utah é conhecido como um estado massivamente voltado para aventura. Ao todo, são 5 parques nacionais e mais de 40 estaduais, todos focados em atividades como caminhadas, escaladas, rafting, ciclismo e atividades próprias de inverno. O charme do estado está exatamente no esforço físico extra, no contato com a natureza e nas paisagens cruas.

Eu tenho um carinho imenso por essa Road Trip, que foi a primeira que fiz, quando ainda nem sonhava em morar por aqui. É um roteiro rápido e gostoso de fazer; leva apenas 2 dias e cobre 2 parques nacionais e um estadual.

estrada para o Parque Nacional dos Arcos
Em tempo, semana retrasada tive a oportunidade de "terminar o roteiro", já que da primeira vez ficou faltando exatamente a cereja do bolo: o Parque Nacional dos Arcos, um dos parques nacionais mais famosos dos Estados Unidos. Por essa razão, o post será uma mistura das duas road trips, com imagens feitas pelo IPhone 5c (meu ex-fiel-companheiro) no verão, e pela câmera digital durante o inverno (em uma semana que não nevou tanto, graças aos deuses).

Coloquei Salt Lake City como sendo o ponto inicial do mapa, já que é de se esperar que esse seja o ponto de entrada em Utah para a maioria dos turistas:



Dia 1



Beaver, UT

Essa parte do roteiro é plenamente passível de cortes, a não ser que você realmente goste de uma panqueca quentinha pela manhã.
Passando por Beaver, tomamos um café da manhã bem cidadezinha americana, em um diner chamado Arshels Cafe. Recomendo uma refeição reforçada (com panquecas e cafézinho), ainda mais visto toda a caminhada que aguarda para o resto do dia:




Bryce Canyon National Park

O primeiro parque nacional do roteiro é chamado Bryce Canyon, e sua característica única são as enormes galerias de pedras alaranjadas. Produtos da erosão causada pela água, vento e gelo ao longo de milhares de anos, recebem o nome de "chaminés de fadas" (ou pirâmides de terra), e as do Bryce Canyon são a maior coleção dessas formações no planeta.
Espalhados pelo parque estão vários mapas de trilhas possíveis, todas contornando as enormes estruturas naturais (eles também dão um mapinha logo na entrada). Nas trilhas pela floresta, é possível encontrar avisos sobre animais silvestres e placas descrevendo a fauna/flora da região (incluindo avisos de ursos - medo).
Eu só presenciei alguns veados se alimentando - incluindo filhotinhos óuhn -, ariscos demais para se deixar chegar perto.



Hobbie do marido: tirar fotos enquanto eu tiro fotos


Monitor and Merrimac

Vale a pena uma paradinha no meio da caminho para admirar Monitor e Merrimac, uma formação geológica chamada de "mesa" por seu topo plano. A trilha para mountain bike é famosíssima nessa região, então, se você tiver como levar uma, é mais do que recomendado.



Dead Horse Point State Park

Difícil fazer justiça ao Dead Horse Point com descrições. O silêncio e paz desse lugar são impossíveis de se descrever. É um dos lugares favoritos para fotógrafos profissionais, pelas sombras e cores durante o entardecer.
Recomendo fortemente sentar em uma das pedras e aguardar o pôr do sol. Com somente o barulho do vento para fazer companhia, acaba sendo uma experiência única e convidativa para praticantes de yoga e meditação ♡, ou qualquer um que queira sentir um pouco de paz e conexão com a natureza.
Em tempo, o parque também conta com trilhas para caminhadas e ciclismo.



 — a partir daqui, imagens feitas no inverno




Dia 2

Moab, UT: Arches National Park

Meu parque nacional favorito até o momento, o Arches National Park abriga mais de 2.000 arcos naturais em uma extensão de aproximadamente 300 km².
A trilha para se chegar ao arco mais famoso do mundo é repleta de inclinações, desfiladeiros, e, no inverno, muito trabalho em equipe (para não escorregar no gelo e morrer lá embaixo, veja bem), mas vale a pena cada gotinha de suor. Difícil não se maravilhar quando, na última curva, as rochas se abrem em uma grande "bacia", com o arco imponente em destaque.
Durante toda a estrada dentro do parque é possível visitar formações rochosas interessantes, como a Balanced Rock, uma pedra que parece desafiar a gravidade, e cavernas de arenito, com arcos e alcovas formados pela erosão.
Vale a pena permanecer no parque até a noite, se você tiver uma boa câmera e quiser uma fotografia como esta.



Balanced Rock

Balanced rock de pertinho

Nem estava frio com esse laguinho semi congelado, imagina

Uma parte da subida para o Delicate Arch

Delicate Arch


Sand Dune Arch

Qual a melhor época para essa Road Trip?

Eu diria que no verão. Apesar do inverno deixar as paisagens fora-desse-mundo de lindas, a neve deixa as caminhadas bem perigosas. Especialmente no caso do Delicate Arch, você vai ter de passar por desfiladeiros estreitos (em alguns trechos só cabe uma pessoa mesmo), completamente cobertos por um gelo escorregadio. É até um tanto desesperador; não há onde se segurar e muita gente leva tombos preocupantes nesse trajeto. Se decidir mesmo pelo inverno, tente ir após uma semana sem nevar, para que dê tempo de derreter boa parte do gelo.

verão

inverno

O que levar?

O de sempre para trilhas; roupas confortáveis, tênis e protetor solar. Para o caso do inverno, muitos casacos (recomendo segunda pele), luvas e, caso você tenha botas próprias para caminhar no gelo: POR FAVOR LEVE! Pode ser a diferença entre nenhum e alguns hematomas. Também aconselho levar lanchinhos de viagem e baterias extra para a câmera e o celular (já com essa trilha sonora baixada).

Onde ficar?

Da primeira vez ficamos em um motel bem estilo americano (hello, Dean and Sam ♡), o Bowen Motel, e da segunda acabamos nos hospedando no Hampton Inn. Obviamente, pela experiência, recomendo o primeiro, afinal, motéis são bem parte da graça das road trips nos Estados Unidos. Se seu espírito for ainda mais aventureiro, também é possível levar barracas e acampar em locais próprios para camping nos três parques.
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