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Listas

Como venho mantendo minha sanidade na pandemia

Ou como não perdi completamente minha já tão limitada estabilidade emocional, mesmo vivendo em um loop infinito estilo Groundhog Day.

Se me dissessem, lá em março de 2020, que um ano depois isso tudo ainda não teria acabado, eu não acreditaria. Ou talvez até acreditasse, no mais puro deboche. "Nada está ruim o suficiente que não possa piorar", resmungaria resignada.

O fato é que, 365 dias depois, quase nada mudou. 365 voltas cujos acontecimentos poderiam ser facilmente condensados em uma única. Acordar, não se dar ao trabalho de tirar o pijama, conversar com uma tela, dormir.

Tudo bem, talvez eu esteja sendo injusta, e um tantinho melancólica. Por enquanto, eu sigo fazendo o possível para não me afogar, e até tenho alguns dias bons de normalidade aqui e ali. São os dias que eu mesma me forço a espremer alguns limões, a começar um novo projeto, inventar algo na cozinha, ou simplesmente deitar por horas na cama, com o gato ronronando e um livro a tiracolo.


A terapia vem ajudado a não ceder à control freak dentro de mim. Aquele clichê de viver um dia de cada vez, de abraçar o fato de não saber quando, nem como. Estou re-aprendendo a me acalmar quando tudo parece perdido, quando percebo que eu não posso dominar muito ao meu redor. Esse post mesmo, foi o resultado de algumas conversas com a terapeuta, num dos melhores conselhos que ela me deu até hoje; "Faça. Não espere a vontade vir, porque ela não vai vir. Faça sem vontade mesmo".

Desses meus (auto) empurrões pra vida, nasceram mini rituais. Pequenas sessões do meu dia que eu posso controlar, escolher, moldar. E nessas âncoras eu me apego para não perguntar constantemente o que está por vir. Sim, os dias parecem todos iguais, mas talvez, nesse momento, seja exatamente o que me traga mais conforto.

1. Cozinhar

Por causa das minhas escassas (ou desastrosas) habilidades culinárias, eu morria de medo de tentar qualquer receita que não envolvesse uma arrozeira ou uma air fryer. Morria porque, em meio a tempos tão incertos, quando qualquer um na internet está assando um pão, não fazia sentido me apegar à perfeição. Foi nessa quarentena que me senti mais livre para errar, refazer, e até jogar o bolo queimado no lixo, sem contar pra ninguém. Nessas idas e vindas, saíram algumas invenções comestíveis e até palatáveis. Fiz minhas próprias esfihas, sidra caseira, tortas e, pasmem, até um rocambole.

2. Domingos

Li em algum lugar que a melhor forma de combater o sunday blues é tornar os Domingos seu melhor amigo. Planejar algo que te dê prazer, que te faça ansiar pelo dia ou que, pelo menos, te faça esquecer que mais uma segunda-feira se aproxima.
Foi a partir dai que criei minha rotina programada; acordo cedo, arrumo a casa e tento cozinho algo diferente, enquanto assisto alguma besteira na tv. Depois do almoço, deito na banheira com o kindle, uma bomba colorida, skin care, amor próprio. Termino o dia vendo um filme com o marido e o gato, esquecendo que trabalho, prazos e reuniões sequer existem.
Soa simples, mas eu diria mesmo que é suficiente.

3. Leituras

Talvez por toda essa monotonia no mundo real, livros vêm sendo meu refúgio, meu meio de transporte  seguro em mares instáveis. Um ponto positivo da pandemia, aliás, foi que eu pude participar de atividades que, morando longe, seriam impossíveis. Foi na quarentena que passei a integrar um clube do livro online e, além de poder dividir meu amor pela leitura, ainda descobri que socialização sem presença física é plenamente possível (e aceitável).

Última leitura do clube: "A Troca", de Beth O'Leary

4. Exercícios

Não que eu esteja a senhora atividade física nessa quarentena, mas pelo menos os apps quarenteners, esses que deixam você se exercitar sem a burocracia usual de uma academia, acabaram por me salvar do sedentarismo. Minha recomendação fica para o Steezy, um app de dança com vários estilos, modalidades e níveis. Um workout de 10 minutos ao som de Britney Spears, com o marido rebolando  ao meu lado, e me fazendo rir horrores, é meu mais novo jeito favorito de terminar um dia estressante.

5. Televisão

Quando a internet foi dominada por exércitos de coaches nutricionais, tik tokers sem noção, e cactos raivosos, me vi recorrendo à boa e velha televisão para consumir qualquer entretenimento não-pensante que seja, qualquer alento que me distraísse da calamidade. Agradeço a todos os serviços de streaming pela minha sanidade atual, mas o destaque da temporada ficou por conta de WandaVision, que obviamente você já assistiu, mas vale a menção por ter até me feito ir atrás da HQ inspiradora na biblioteca da cidade.


Sei que, quando nos dermos conta, nossas rotinas terão de ser encaixadas novamente. Sei que talvez o moletom seja aposentado, talvez eu nem lembre mais como é acordar, jogar uma água no rosto e, em cinco minutos, estar conectada para a primeira reunião do dia. Tudo bem, não sei, mas espero. Espero muito.
E mesmo que essa lista seja um guia de sobrevivência para um ano caótico, ainda quero levar a habilidade de criar meu próprio espaço acolhedor, de me satisfazer em pequenos rituais. É o mínimo que esses 365 dias poderiam me ensinar.


E você? O que vem mantenho sua sanidade?

Especial de Outono [Receitas]: Sidra de maçã caseira

Já havia mencionado por aqui antes; o Outono é, de longe, minha estação favorita. As casas decoradas, a comida quentinha, as cores avermelhadas. Tudo nessa época é sinônimo de aconchego, e eu posso provar.


Esse ano não está sendo exatamente fácil, já sabemos, e eu senti que precisaria fazer um esforço extra. A inspiração e a habilidade me escapam, então dependeria de mim descobrir uma forma (lúdica até) de passar por tudo isso. 


Mergulhar nas tradições da época parecia uma boa ideia (unir o esteticamente agradável com o psicologicamente útil), portanto me propus a ir all the way; receitas, decorações, fotografias de folhas caídas, doces e travessuras. Um espelho deformado da realidade de antes, mas, ainda assim, algo a refletir.


Acabei por começar com uma receita simples, mas que acabou me dando um trabalhinho: a Apple Sider.



Complicado falar em sidra de maçã, porque logo vem a bebida fermentada na nossa cabeça. Por aqui, no entanto, a sidra é praticamente um cházinho de maçã e canela, uma bebida não-acoólica tradicional das festas de fim de ano (Halloween, Ação de Graças, Natal e Ano Novo).



A ideia da cidra é a mesma do chá; ferver as frutas até obter um líquido bem concentrado. Eu usei a Slow Cooker, porque queria que a casa ficasse com esse cheiro de maçã e canela o dia todo, mas a receita é absolutamente possível (e mais rápida) na panela de pressão.



A parte mais chatinha foi coar, muito por culpa da minha falta de utensílios. Como eu só tinha um coador largo e um bem pequeno (daqueles de copo), tive de usar um depois o outro. Isso significa que passei pelo menos uma hora peneirando todo o conteúdo da panela.



No fim, achei que compensou porque eu só queria algo que me colocasse mais no espírito da estação. Além disso, a segunda filtração rendeu um purê de maçã delicioso, que também é bastante consumido por aqui nessa época. Fosse apenas pela bebida, acredito que seria mais fácil me dirigir até o mercado mais próximo e comprar uma garrafa.



E vocês? O que estão fazendo para sobreviver passar o tempo nesse 2020?


Sidra de maçã caseira

Ingredientes:
  • 7 maçãs cortadas (de vários tipos)
  • 4 paus de canela
  • 1 colher de chá de cravo-da-índia
  • 1/4 xícara de açúcar
  • 1 laranja

Modo de preparo:
  1. Corte as maçãs e a laranja em fatias
  2. Coloque todos os ingredientes na Slow Cooker (ou Panela de Pressão) e adicione água até cobrir todas as frutas
  3. Deixe cozinhando (6 horas na Slow Cooker, 15 minutos na panela de pressão)
  4. Amasse o conteúdo com uma colher (até quase a consistência de um purê) e cozinhe por mais 1 hora na Slow Cooker, ou mais 5 minutos na panela de pressão.
  5. Coe todo o conteúdo, de preferência com um coador grande, de rede fina.

Você pode pode adicionar bebidas alcoólicas, gengibre e outros sabores que preferir. Também é possível consumir a sidra quente ou gelada.

Seguir o fluxo

Setembro foi um mês difícil. Assim, muito difícil mesmo. Tive de lidar com emoções que desconhecia, ou que há muito não tinha contato. Tive não, ainda estou lidando, aprendendo, superando. Esquecer jamais, porque é parte de mim, mas aos pouquinhos, a cada dia, descobrir como moldar o sofrimento em boas lembranças. Não sou mais a Kari do dia primeiro de setembro, e nem deveria ser.

Venho me aprofundando nessa aceitação da impermanência. Porque talvez eu pudesse me empenhar - um esforço confortante, mas ineficaz - em manter a "vida antiga". Ou eu poderia simplesmente aceitar que tudo está mudado para sempre. Eu, minha família. E a única certeza que podemos ter, para sempre, é que continuaremos em constante transição. Que pena, mas que bom; afinal, a dor também é impermanente.

Foto inspirada pelo projeto Whats your Grief
Lembrei desse espaço, porque, apesar de dizerem por aí que a arte de blogar está morta, ainda é um lugar em que posso exercitar a pequena veia criativa que carrego. Sempre foi por mim, sabe? Seja por registrar memórias, pelo exercício mental de conciliar imagens e texto, por expressar esse amadorismo (!) que tenho com as palavras. Por extravasar também, mas de um jeito só meu; contido e libertador. Senti falta dos posts levinhos de listas e resenhas, mas senti falta também de posts em que tiro um pouco dessa máscara de proteção e transpareço o que me inquieta.

Aproveitei para limpar minha lista no feedly e, confesso, me entristeceu um tantinho ter de passar tantos blog para a pasta de Desatualizados. Não que eu tenha direito de ficar chateada, até o momento também sou parte do problema. Ao mesmo tempo, me encheu de alegria ver que projetinhos ainda vivem e que existem tantos blogueiros determinados a manter essa tradição. Já mencionei aqui como blogs-diarinho foram parte do meu primeiro contato com a internet, e acredito mesmo que essa fase da minha vida ainda não está concluída.

Espero que me aceitem de volta :).
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