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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Da magia metropolitana

Dizem por aí que essa cidade é só concreto, poluição e dias cinzentos. Dizem que a magia morreu, que aqui é terra de gente ranzinza, de quem não dá atenção aos detalhes, de quem vive com pressa. Eu bato o pé, brigo que não. São Paulo é terra de persistentes, de quem sabe abrir um sorriso para o fim de tarde na Paulista, de quem tira uma manhã para ler um livro nas mesinhas debaixo das árvores do Centro Cultural, de quem sabe o valor de pequenas belezas, que surgem, desafiadoras e sobreviventes, em meio a tanto asfalto.
Aqui você precisa olhar, andar, pesquisar, dar meia-volta, andar mais um pouco. Mas, meus amigos, a recompensa vale. E é em um desses lugares, escondidinho numa travessa da Vereador José Diniz, que é possível, com muita imaginação e alguns tijolos amarelos, encontrar um cenário que eu não poderia descrever de outra forma que não mágico.

Sebo Harry Potteriano, eu batizei, mas o nome na plaquinha acusa Sebo Brooklin. Em meio aos exemplares novos, antigos, empoeirados, de títulos inesperados ou conhecidos, é possível encontrar um outro mundo, que muito tem a ver com aqueles descritos nas páginas da ficção. Alguns livros, já tão corroídos pela poeira e pela ação do tempo, nos causam pena, como se fossem ali anciãos contadores de histórias abandonados. Os moradores felinos, imitando as bibliotecas cinematográficas, nos acompanham com olhares desconfiados, monitorando nossas mãozinhas ansiosas correndo por seu território, cheio de labirintos e passagens quase secretas. O dono infelizmente não estava, fui recebida por um ajudante, mas dizem que, ele também, cumpre todo um contexto com a paisagem.

                      

O desfecho do passeio foi, além de completar mais um pedacinho da minha coleção de livros favoritos, uma aquisição por puro encantamento:

Todo meu, por R$20 

Créditos de algumas fotos: Sou Paulistano?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

De todos os meus dez maridos

Vi a listinha pela primeira vez no blog da Taryne, e logo seguiu-se uma en-xur-rada de posts apaixonados pelo meu reader, cheio de declarações e odes a personagens mais que cativantes. Como sempre sofri de paixonites platônicas e completamente irreais, tive de roubar a ideia (com os devidos créditos à Rafinha que, pelo o que entendi, foi a pioneira do meme). Portanto seguem meus maridos imaginários, sem qualquer ordem de preferência, exceto, claro, pela primeira posição:


Sherlock Holmes
Antes mesmo de começar a lista, posso afirmar que desistiria de todos os envolvidos por esse senhor. Nosso romance é antigo, fomos apresentados lá pela 6ª série, por um cupido disfarçado de professora de português, que indicou “Um Estudo em Vermelho” para a aula de literatura. Foi amor à primeira vista. Nunca fui de escrever (ou ler) fanfics, mas passei os anos seguintes imaginando linhas paralelas em cada um dos contos, onde eu poderia participar e conviver com aquele homem que, meu deus do céu, não podia ser ficção. Sherlock foi minha paixonite mais aguda. Eu queria ser Watson e ouvi-lo tocar violino, discutir suas teorias e salvá-lo das noites imersas em absinto. Queria ser Irene Adler e desafiá-lo na sua própria ciência, fazê-lo me enxergar como um igual, mesmo através da sua misoginia marcante. Nunca senti nada parecido pelas representações em filmes ou séries do meu detetive, ora carrancudo, ora inexpressivo, ou até mesmo um completo idiota (Downey Jr. mandou um alô), até que, em 2011, tive o prazer de me deparar com meu adorado em carne e osso, ali, bem na minha frente. O Sherlock de Benedict Cumberbatch é exatamente como imaginava; jovial, entusiasmado, prepotente de uma forma inocente e encantadora. Casava, sem sequer me importar com o apartamento minúsculo e bagunçado da Baker Street.


Wilson – House M.D.
Dr. House foi baseado em Holmes na sua forma mais... desafiadora; inteligente, insensível, direto e extremamente petulante. Veja bem, amo House, mas quem aguentaria passar mais de alguns minutos por dia com ele? (Isso se ele não der um ataque de ciúmes e enfiar um carro na sua casa...). Wilson é o contrapeso; tolerante, educado, companheiro. Ele vai te levar flores, enquanto House receberia uma massagista ucraniana na sua sala. O namoradinho perfeito, carinhoso, com uma carreira invejável e um escritório repleto de presentes de criancinhas com câncer, Wilson é virtude, diria uma das minhas personagens favoritas. Casaria e esperaria casa arrumada, comidinha pronta e massagem no fim do dia.


Holden Caulfield
“O Apanhador no Campo de Centeio” foi sugestão de uma amiga, nos anos 2000. Lembro exatamente da frase dela, enquanto lia escondida na carteira, em uma aula de matemática qualquer: “Ká, você tem que ler esse livro, o protagonista é sua versão masculina!”. E era mesmo. Holden é pessimista, reclamão e passa boa parte do tempo odiando tudo e todos. Em tempo, a Lú, minha amiga querida, me entendia como ninguém. Holden é do tipo observador, que pensa demais e se sente deprimido com situações que a maioria das pessoas não dá a menor importância. Ele tenta ao máximo ser realista, embora muitas vezes acabe sendo mimado e um tanto hipócrita, exceto quando mostra todo seu carinho pela irmãzinha. Holden é meu rebelde sem causa favorito e foi um dos personagens mais importantes da minha adolescência. Um garoto normal, tentando entender o mundo à sua volta. Casaria pelo prazer de ver o adulto interessante que ele se tornaria.


Major Anthony Nelson – I Dream of Jeannie
Esse é culpa da minha mãe, que me apresentou ao seu seriado favorito da juventude, que logo se tornou um dos meus também. Major Nelson é mais um para a cota dos bonzinhos. A história é mais ou menos a seguinte; ele tem um gênio disponível 24h por dia. Um GÊNIO, veja bem. Ele poderia pedir qualquer coisa – riqueza infinita, mulheres, poder -, mas tudo que ele quer é ser um bom astronauta, ir à Lua e ficar longe de problemas, sem truques. Mais digno, impossível. Em tempo, toda vez que assisto às temporadas, fico impressionada de como Larry Hagman era bonito. Quero dizer, muitas vezes acho difícil considerar um moço "das antigas" bonito, seja pelo estilo, corte de cabelo ou a simples diferença no padrão de beleza mesmo. Mas Major Nelson era lindo em 1960 e é lindo hoje em dia. Casaria e jogaria a garrafa de Barbara Eden (outra beleza imortal) no lixo.


Harry Potter
Eu sei, todas suspira por Ron Weasley. Talvez por ser filha única e não ter de dividir histórias ou, nas brincadeiras (sozinha, snif), seguir apenas meu próprio roteiro, eu sempre tive uma queda por protagonistas. Harry pode não ser o mais inteligente da turma, nem o mais bonito, ou sequer o companheiro notável, mas é, sem sombra de dúvidas, o centro das atenções, o grande herói. Rowling ainda o presenteou com uma dose de realismo, quando o fez extremamente honrado, mas repleto de falhas. Por várias situações, vemos Harry tomar atitudes impulsivas, egoístas e irresponsáveis, colocar seus amigos em perigo, meter os pés pelas mãos. Para, no fim, mostrar toda a sua coragem e se sacrificar, sem pensar duas vezes, por amor e amizade. Casaria e exigiria meu green card no mundo dos bruxos.


Derek Shepherd – Grey's Anatomy
A escolha mais óbvia, eu sei, mas não consegui resistir. Não é apenas o cabelo impecável, Derek Shepherd exala perfeição por cada milímetro do corpo maravilhosamente esculpido. Ele quer casa, esposa e filhos. Romântico incurável, já chegou a perdoar uma traição e lutou bravamente contra um novo amor, por respeito ao casamento em ruínas. Dono de um sorriso apaixonante, ele é do tipo que propõe casamento por post-it's, da forma mais fofa possível, e, de quebra, ainda constrói uma casa linda para morar com sua amada. Pois é, McDreamy é, reconhecidamente, um sonho. Até quem não é tão chegado em crianças assim – moi –, se derrete quando o vê brincando com Zola. Caso, mas me recuso a morar em um trailer.


Nathan Drake - Uncharted
De longe, o mais sexy da lista. Nathan Drake é aventureiro, engraçado (por vezes até bobo, vide troféu Marco Polo) e absurdamente sedutor. Acreditem em mim, Drake é o McSteamy dos games. Sua personalidade faz com que jogar Uncharted seja quase como assistir um filme, com um daqueles protagonistas para lá de carismático. Ele é o herói insolente, aquele que vai fazer piadinhas quando te pegar no colo e abrir um sorrisão quase infantil logo depois de escapar de um desastre. Aliás, uma de suas características mais marcantes é não levar a vida tão a sério, a não ser quando seus amigos correm perigo. É praticamente impossível jogar sem imaginar como ele seria se fosse... bem... real. Afinal, com o charme inspirado em Cary Grant, quem resistiria? Caso. Na Índia, de roupa cáqui, em meio a ruínas e explosões.


Jim Halpert – The Office
Apresento-lhes o motivo pelo qual sobrevivi à primeira temporada de The Office. E à metade da segunda. Porque, minha gente, The Office é uma das séries mais geniais que já assisti, mas o começo é sofrível. Agradeço aos céus por existirem Pam e Jim para aliviar. O romance dos dois é daqueles que te faz sentir uma pontadinha de inveja por não ser com você. Jim é o cara fofo do escritório, meio tímido, extremamente sarcástico, com um sorriso de derreter corações, que se apaixona completamente pela melhor amiga do trabalho. Só que a moça está de casamento marcado e ele é obrigado a suprimir esse sentimento, até não aguentar mais e, finalmente, se declarar. Com a ajuda da sua criatividade marcante (suas pranks são bem famosas), ele não só se tornou o queridinho da série, como também conquistou o coração da amada. Confesso que assisti à cena do primeiro beijo mais vezes do que conseguiria contar. Caso e ainda me fantasio de papel para combinar com o three hole punch no Halloween, ui.


Sôichiro Arima – Kareshi Kanojo no Jijou
Arima é o tipo de personagem que não dá nem para desejar que seja real. Ele é inteirinho feito daquela perfeição e primor que só poderia existir na ficção mesmo. E a história começa bem por aí. Miyazawa é a garota modelo no colégio onde estuda; ótimas notas, bonita, boa nos esportes, sempre disposta a ajudar os colegas. O problema é que sua personalidade é uma farsa assumidamente criada por ela mesma, no intuito de ser o centro das atenções. Quando está longe da escola, Miyazawa é narcisista, infantil e altamente competitiva, chegando a passar noites em claro estudando como uma louca, apenas para sustentar sua imagem. É então que Sôichiro Arima chega ao colégio e Miyazawa tem uma crise de inveja/ciúmes. Arima não só tira notas maiores, como também faz parte de vários clubes e ainda arruma tempo para ser campeão nacional de kendo. É educado, bonito e prestativo. De verdade. No meio de toda a rivalidade (por parte da Miyazawa), os dois acabam se apaixonando e Arima ainda se torna o namorado mais fofo do mundo. Casaria, e pediria ajuda na lição de casa.


Jesse de Silva - A Mediadora
Vou logo dizendo, Jesse é um fantasma. E isso seria o suficiente para eu abandonar a leitura e enfiar o livro no freezer, no melhor estilo Joey. Sério, morro de medo de histórias de fantasmas. Para piorar (ou não), Jesse é o fantasma que a protagonista Susannah encontra no seu quarto quando se muda para uma nova casa e, justiça seja feita, se vê obrigada a dividir o espaço com o atual morador. Não que ela não tenha apresentado alguma resistência, mas é realmente difícil dizer não a uma assombração de pele bronzeada, cabelos escuros, olhos negros e abdômen de causar distrações até a uma médium. Além dos atributos físicos frequentemente mencionados por Susannah, Jesse é o típico gentleman do século XIX - data em que morreu -; nobre, educado, protetor e com uma moral tão exacerbada, que seus conceitos sobre relacionamentos chegam a ser um tanto antiquados. Nada que não possa ser resolvido, claro. Ele ainda é bastante esquentadinho e vive sussurrando palavras em espanhol quando fica bravo. Ai. Casaria, nessa e na outra vida.

Menções honrosas a Tom Hansen, Clark Kent e Dexter Morgan.