Em branco

Tem gente que, ao atravessar diferentes fases na vida, prefere relatar cada segundo. Poetizar, expressar, jogar para o universo todo o medo e a ansiedade. Gente assim, que enxerga até nas dores uma experiência digna de diário. Memórias guardadas para resgatar na velhice, de como eram deliciosas e assustadoras as decisões da juventude.
E tem gente como eu. Um tanto mais fechada em si mesma, um quê de dark and twisted, se você também é fã de Grey's Anatomy. De tal forma que leva tempo e muita (!!) auto terapia até o pessimismo dar lugar à inspiração.
Tem gente que toma decisões importantes enquanto vive. Eu só volto a viver quando concluo esse ciclo.


Não quer dizer que tudo na vida entrou nos eixos, ou que (deus me dibre!) decidi aparecer aqui só por obrigação. Quer dizer que, no fundo, eu nunca sumi totalmente. Sigo lendo meu feed de blogs favoritos, arquitetando posts no meio da madrugada, selecionando fotos que combinem com as palavras. Era só a motivação para a ação final, o empurrão para me livrar da inércia da vida adulta, que me escapava.

Eu e o blog seguimos assim; uma história antiga, repleta de lacunas.

Atualizações de Primavera

Esses dias me bateu uma vontade de escrever no blog, mas eu achei que ficaria um tanto estranho aparecer aqui do nada, com um assunto aleatório, sem dar qualquer satisfação sobre meu sumiço nos últimos meses.
Pois bem, como vocês devem imaginar, minha mais-óbvia-e-recorrente desculpa é o famigerado último semestre do mestrado.

Não posso deixar de ressaltar que, chegando nessa reta final, a faculdade se desfez em desânimo. Principalmente nas últimas semanas, tudo o que eu mais queria da vida era terminá-la. Simplesmente já não tinha mais a mesma disposição para tantos projetos, provas, listas de exercícios, trabalhos em grupo, aulas, apresentações, grupos de estudos, etc etc. Eu estava saturada, e sentia que já não havia espaço no cérebro para enfiar mais coisas.
É inegável que aprendi muito até aqui, e que o mestrado abriu portas que jamais seriam abertas de outra forma. No entanto, entrar naquela sala de aula no último mês era ter a certeza de que o mundo acadêmico precisava finalmente ficar para trás. Era hora de ter uma ~vida normal~; acordar, ir para o trabalho, voltar, deitar no sofá e assistir Netflix até dormir, sem culpa alguma por não estar adiantando as toneladas de lição no lugar.

Eu sempre fui a louca ~acadêmica~. Graças ao bacharelado em período integral, comecei a trabalhar muito tarde e, quando comecei, tratei de me enterrar em mais livros/cursinhos para passar em um concurso melhor.
Quando passei, mudei de país e lá fui me enfiar em mais uma faculdade. Eu simplesmente não sei uma maneira melhor de progredir, e, mesmo sendo mais complicado, estudar sempre me pareceu o caminho mais óbvio.

Finalmente acabou, e, bem, sobrevivi. Estudar nos Estados Unidos não foi nem de longe o bicho de sete cabeças que eu achava que seria, mas estudar E trabalhar continua sendo uma roubada em qualquer lugar do mundo. Foram muitas noites de 4 horas de sono, muitas idas à biblioteca no meio da nevasca, muitos finais de semana trancada no porão/escritório, e muito (!) shampoo a seco, porque tempo para lavar o cabelo não havia.


Pode parecer pouco, ou "só um papel", mas o diploma me fez sentir como se minha transição estivesse - finalmente - completa. Praticamente uma validação de que eu realmente faço parte dessa "sociedade", de que agora tenho um espacinho só meu por aqui.

Como lido com minha ansiedade digital

Eu não nasci em um mundo online. Pelo contrário, correndo o risco de me sentir uma senhorinha explicando isso, posso contar ao menos uns 10 anos de consultas à Barsa, até que finalmente tivesse um login da AOL para chamar de meu.


Lá no começo, a internet ainda era relativamente fácil de lidar. Dois ou três sites de busca, primitivos canais de comunicação, meia dúzia de blogs - todos diarinho, sem qualquer pretensão monetária. A vida era muito mais simples em baixa resolução, e ainda havia toda essa tela vazia, com o perdão do trocadilho, para que criássemos o que nossa imaginação permitisse a 56Kbps.
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