Do meu Carnaval

Abram alas, Fevereiro chegou. Semana de Carnaval, muita folia, muito bloquinho, muito confete, muito neguinho da beija flor, mas só que não.

Aqui, na Terra do Tio Sam, também foi final de semana de festa, mas com um motivo diferente, o tal Super Bowl. Tudo bem, não tem gente semi nua na tv (às vezes tem, mas não é encarado com a mesma naturalidade), não tem samba no pé (poxa, se isso não for muito gingado, o que seria então?) e não tem feriado (não que não esteja sendo pleiteado), mas tem sim muita gente colorida na rua, muita farra, cerveja, romance, e after parties.

bloquinho laranja e azul. fonte.
Foi minha primeira festa-de-futebol-americano, e, posso dizer com segurança; por aqui, eles têm Copa do Mundo uma vez ao ano. Incrível como o domingo se transformou; o trânsito tinha cara de segunda-feira e era como se a cidade inteira estivesse concentrada na fila do supermercado. Ao passar umas tortillas e jalapeños, a caixa já foi logo engatando um small talk - "Preparando para o Super Bowl? :)" -, estavam todos na mesma expectativa.

Eu comecei a temporada sacando nadinha desse futebol, que, já fui logo reclamando, não se joga bem com o foot. Foram muitos videos de regras básicas no youtube, muitos gritos de comemoração para o time errado, muitos "mas por que eles não tentam avançar mais uma vez ao invés de chutar?". Até que peguei gosto. Escolhi os Denver Broncos, porque, além de ser um dos primeiros times que vi jogar, achei esse tal de Peyton Manning engraçadinho nos comerciais. Pareceu bom moço, sabe?

Então os jogos foram acontecendo, eu peguei raivinha de alguns times (ver os Patriots jogar é como assistir a um videobook de Tom Brady. Até quando o rapaz está no banco, é só ele que mostram) e peguei amor por outros (os Green Bay Packers são só simpatia também). Nos últimos jogos eu já estava viciada, de subir no sofá e xingar o juíz, o técnico, a defesa, comemorar touchdown gritando e fazendo dancinha; porque, amigos, é assim que se torce no meu país.

No final das contas, o Denver Broncos foi para a final, e todo mundo disse que seria massacrado. Tudo bem, ainda assim tinha festa e comida na casa de amigos, Beyoncé e Coldplay para amenizar. Uma das partes mais divertidas foram os comerciais que, eu não sabia, eram todos feito especialmente para o intervalo, alguns com uma qualidade absurda de filme (vide o do Homem-formiga vs Hulk). Tudo muito tranquilo, tudo muito favorável, até que o meu mais-novo-time-favorito surpreendeu e eu pude ter a alegria de vê-los ganhar meu primeiro SuperBowl. Comemorei, pulei, e, só de graça, ainda embolsei $75 na aposta ¯\_(ツ)_/¯ .

- Layout

Aquele tema básico já estava me dando nos nervos, então resolvi colocar um pouco de briga com o css na minha vida, por que não? Depois de imagens que insistiam em ficar onde eu não queria, consegui mudar um pouco a cara do blog. A foto do perfil ficou assim, meio ex-bbb decadente viciada em snapchat, mas foi a única que combinou.

- 2016 Reading Challenge

Li "O Homem do Castelo Alto" e achei o livro um perfeito exemplo de uma boa ideia mal executada. Não sei se eu que esperei demais (eu acreditei que seria quase um "1984", uma distopia cheia de descrições e suspense), mas, para mim, faltou ambientação (e qualquer clímax). Ainda não assisti a série, mas, só o trailer já me empolgou muito mais que o livro inteiro.

ps.: A maratona Oscar anda capenga. Ano passado foi tão fácil assistir os indicados, da lista desse ano, sinceramente, ainda não sei se vou ter paciência para assistir Brooklin ou Revenant.

Das histórias de des-amor

Essa semana, entre leituras sobre o Tinder e desavenças amorosas-barra-finais felizes no blog da Analu e newsletter da Anna Vitória, me lembrei de uma história de desamor mais ou menos com internet, que me aconteceu há 6 anos, quando aplicativos de paquera ainda não estavam aí para dar uma forcinha.

O ano era 2010, época dourada de orkut e raríssimos casos de internet no celular. Eu caminhava para o ponto de ônibus, muito provavelmente no pior humor possível, já que, novidade, estava atrasada para o trabalho. Ele já estava lá, parado perto da escadaria, naquele ponto deserto, calça jeans levemente apertada e moletom hipster, barba por fazer – confesso, não sou fã -, e cara de tédio, já que, como mencionado acima, os tempos de rosto enfiado no celular 24-7 estavam apenas no comecinho. Parei no ponto, dei uma olhadinha, ele me ignorou, fiz a blasé, vida que segue.

Semanas passam, lá estou eu, atrasada para o trabalho novamente (talvez tenha sido uns 2 dias depois, dada a minha falta de pontualidade frequente), quando me deparo com o mesmo mocinho parado no ponto. Dessa vez me permiti reparar melhor no quanto lindinho ele era - leia-se encaradas pouco discretas- , e logo meu cérebro já estava maquinando como poderia encontrá-lo mais vezes, já que isso parecia acontecer quando, ao invés de 10 para as 8, eu saía às 8h30. Conclusão pouco óbvia: No dia seguinte, me atrasei de propósito. Só que, como meus planos nunca saem exatamente como eu quero, dessa vez acabei perdendo a linha, com o perdão do trocadilho; saí às 8h40 e ainda tive tempo de ver o ônibus subindo a rua, quando, ignorando toda a falta de sensualidade na cena, corri meia maratona e ainda tive tempo de ver o bonitinho mas ordinário subindo no busão, enquanto olhava para minha cara e poderia muito bem ter segurado o motorista mais uns segundinhos para mim.


O amor morreu por um mês talvez; sou dessas, que fica de mal de estranhos que sequer se dão conta da minha existência. Isso até que um dia, novamente atrasada, novamente dando de cara com o dito cujo no ponto, resolvi que ficar nos olhares com um guri que certamente não estava interessado e, ainda por cima, não segurava o ônibus para mim, só poderia ser cilada. O negócio é que, dessa vez, ele que não parava de me olhar. Assim, na caruda mesmo, de me fazer até checar se não tinha alguém acenando para ele atrás de mim. E tomamos o ônibus, descemos na estação, ele caminhando perto de mim, pegou o mesmo sentido do metrô e sentou no banco bem em frente. E nisso foram uns trinta minutos de olhadelas e sorrisos desajeitados, da Jabaquara à Luz, até que chegou minha vez de desembarcar.

Fiquei esperando a porta ao lado dele abrir, e ele encostou na minha mão. Perguntou se eu trabalhava na próxima estação, se morava perto do ponto, e eu, quase tremendo de nervoso, afinal nunca tinha flertadinho no metrô antes, retribui perguntando onde ele estudava (Anhembi Morumbi), e até qual estação iria. A porta do metrô abriu, tive de sair rápido e me dei conta que tinha esquecido de perguntar o nome dele. Esqueci simplesmente a parte mais importante da conversa. Tudo bem, dia seguinte o veria de novo e, claramente, já estava perdoado pelo incidente do ônibus.

Foram uns 5 dias saindo cedo, para não correr o risco de chegar atrasada demais da conta, e deixando ônibus após ônibus passar, enquanto esperava ele chegar no ponto. Lembrando hoje em dia, eu não consigo deixar de dar risada, porque jamais faria isso de novo por carinha bonitinho algum, afinal tenho mais o que fazer das minhas manhãs (leia-se dormir mais 5 minutos). Mas ser jovem é uma beleza, e eu esperei pacientemente a semana toda.

Chegando à conclusão que ele deveria estar de férias do estágio ou qualquer coisa assim, resolvi recorrer aos métodos modernos para me dar uma forcinha com o futuro pai dos meus filhos. Estava tudo muito romântico e paulistano até então, mas vivemos em pleno séc XXI e a tecnologia está aí para ser usada. A parte mágica da coisa foi que sabe-se lá por quê, eu coloquei na cabeça que o nome dele era Rodrigo. Ele tinha cara de Rodrigo. Eu sou dessas pessoas que acha que as pessoas têm cara de nome, e que, muitas vezes, sofre para aprender o nome certo. E lá fui eu; Orkut > Comunidades > “Anhembi Morumbi” > “Rodrigo” pesquisar.

Seria um final de tirar o fôlego dizer que o encontrei, que mandei inbox, que batemos certinho, namoramos e que só o destino para pregar uma peça dessas. Mas o fato é que, bem, o encontrei mesmo. E o nome dele era Rodrigo mesmo. Só que ele escrevia “contigo” separado ('estamos com tigo! s2'), “a gente” junto, e tinha como ídolo supremo o Elieser do BBB. Acabou o amor de vez. E passei a ir para o trabalho bem mais cedo todos os dias.


~ Tv e Filmes

Resolvi pegar para ver "How to Get Away With Murder" em um dia desses, de bloqueio criativo no Netflix. Resultado: estamos viciados, namorado e eu, e já sofrendo porque só a primeira temporada está disponível. Viola Davis é diva eterna.
Semana passada fomos ao Festival Sundance de Cinema em Park City e assistimos “The Lovers and the Despot”. O filme conta a história real de uma estrela do cinema e um diretor famoso na Coréia do Sul, raptados por Kim Jong-il e obrigados a fazer filmes para a Coréia do Norte. Acabei embarcando na vibe e aproveitei para assistir “The Propaganda Game”, no Netflix, que fala sobre o poder da propaganda do regime na Coréia do Norte. Para quem também ama documentários, fica a recomendação dos dois.

~ Leituras

Finalmente comecei a ler O Homem do Castelo Alto. Já estava na minha lista há meio século, mas depois de assistir o documentário sobre a II Guerra Mundial em cores no Netflix, achei que o assunto estava fresco na cabeça o suficiente para conseguir acompanhar as analogias do livro. Acontece que o namorado decidiu que queria ler também e resolvemos fazer esse Clube da Leitura de dois. Vou te dizer, é bem complicado ler em duplinha, já que eu tenho mais tempo livre e acabo tentando não avançar muito na frente dele. Por isso, nas horas vagas estou lendo “O Segredo de Jasper”, que ainda não me empolgou. Estou com medo de ter lido “O Sol é para todos” muito cedo esse ano e ter estragado todas as leituras seguintes, porque ninguém jamais vai ser como a Scout <3.
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