15 costumes diferentes nos Estados Unidos

Mudanças nunca são fáceis, é verdade, mas elas se tornam ainda mais complicadas quando a cultura e os hábitos não encaixam. Apesar de não considerar a cultura americana muito distante da nossa (e isso me ajudou um bocado na adaptação), pequenos costumes chamaram minha atenção desde que cheguei aqui.

Listei alguns deles - os que achei mais interessantes e/ou bizarros -, mas já vou frisando que a lista é altamente baseada no estado de Utah, e pode variar conforme a região do país.


1. Pontualidade
No meu primeiro jantar com amigos, como boa paulistana que sou, saí de casa um tantinho atrasada. Para falar a verdade, eu não contei como um atraso propriamente dito, coisa de poucos minutos.
Ainda assim, logo que entramos no carro, o marido já estava pegando o celular para avisar a todos que chegaríamos aproximadamente 3 minutos atrasados. "Aproximadamente três minutos".
Veja bem, de onde eu venho, 3 minutos é considerado uma pontualidade invejável. Aqui, se tornou uma das minhas primeiras lições de adaptação: americano não lida bem com atraso.


2. Milkshakes
Varia de restaurante para restaurante, mas uma coisa que me irrita bastante é pedir um milkshake em uma rede fast food qualquer, e receber um... copo com sorvete.
Isso mesmo, uma aberração dessas:

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é considerada milkshake por aqui. E, acredite, o atendente, como que para enterrar de vez suas esperanças de uma bebida geladinha, ainda cometerá a blasfêmia de entregá-lo com uma colher.



3. Comer fora
Um costume muito comum, e igualmente irritante, é a "aversão" à faca. Não me entenda mal, em uma churrascaria você provavelmente receberá o utensílio, mas na casa de amigos, comidinhas de food truck, e, claro, pizzarias, terá de explicitamente pedir, ou levar uma faca você mesmo.
Sobre pedidos em restaurante em geral, a quantidade de comida nos pratos americanos costuma ser bem generosa, e é extremamente comum pedir uma caixa de isopor para levar o que sobrou para casa.
Em tempo, água é de graça em todo restaurante, e refil de bebidas como refrigerantes e limonadas também não costuma ser cobrado.


4. Visitas com objetivo
Que os americanos são pessoas muito mais reservadas que os brasileiros, todo mundo já sabe. E uma das consequências desse comportamento são as visitas com objetivos bem específico. Se você vai à casa de alguém (ou convida os amigos) para um almoço, assistir a um jogo, ou jantar, isso significa ir à casa de alguém para aquele objetivo e nada mais. Terminado o almoço, o jogo, ou o jantar, os convidados se levantam, se despedem, e cada um vai para sua casa. Sem muita enrolação.


5. Concorrência explícita
Um hábito que não me atrapalha em nada, mas sempre achei bem esquisito, é a abertura para falar mal da concorrência na televisão. Acostumada com os comerciais brasileiros, nos quais a propaganda comparativa é sempre mais velada, me assustei com o quanto eles expõem os concorrentes, com nomes, imagens dos produtos, gráficos comparativos, etc. Por aqui não tem problema nenhum falar mal da competição, inclusive mostrando a marca de forma explícita:




6. Propagandas de medicamentos
Ainda no mundo dos comerciais, assistir à televisão é sinônimo de ser constantemente bombardeado por propagandas de medicamentos sob prescrição médica. A parte esquisita dessas propagandas é que cerca de 1/3 é dedicada aos benefícios do medicamento, e uns 2/3 aos efeitos colaterais. Coisa de você terminar de assistir o comercial e ter absoluta certeza de que vai morrer se tomar tal remédio.
Alguns exemplos aqui.


7. Máquinas de refrigerante
Não basta coca-cola, fanta, sprite, alguns sucos industrializados e suas versões diet. Máquinas de refrigerantes nos Estados Unidos são verdadeiros parques de diversões gasosos, com inúmeras opções de marcas e sabores. Isso significa ter de tomar uma decisão rápida entre, por exemplo, uma Sprite, diet ou não, e todas as suas variações de sabores: pêssego, baunilha, cereja, laranja, lima, etc.
Não sou muito de beber refrigerante, mas confesso que me divirto misturando os sabores toda vez que vou ao cinema (e recomendo 2/3 de fanta laranja com 1/3 de limonada ).

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8. Drive Thru em banco
Uma das atividades rotineiras que eu menos gosto na vida é ir ao banco. Provavelmente não estou sozinha nessa, já que muitos bancos aqui possuem drive-thru, que facilita (e muito!) o pagamento de determinadas contas. Você para seu carro em uma espécie de caixa eletrônico, e conversa com um atendente por um auto falante. O cheque (e/ou dinheiro) é colocado em uma cápsula, sugada para dentro do banco e devolvida com seu comprovante. Nível elfo doméstico de praticidade.

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9. Vestimenta em locais públicos
Utah é um estado bem voltado para os esportes e a natureza, e isso faz com que as pessoas sejam um pouco menos formais com seus guarda-roupas. É normal encontrar pessoas vestidas de pijama em conjuntos confortáveis de moletom, e meias com chinelos nos mercados, lanchonetes, livrarias, etc, e ninguém transparece reparar e/ou julgar a aparência alheia. Confesso que é bem confortável ir ao mercado, por exemplo, sabendo que não existirá nenhum concurso de moda pelo caminho.


10. Paixão por times de faculdade
A grande maioria dos americanos torce para um time de faculdade que não necessariamente representa a faculdade que estudaram.
Eu diria que times de faculdade aqui equivalem mais ou menos aos clubes de futebol no Brasil, os quais você escolhe conforme a região que nasceu/cresceu, ou as preferências dos seus pais.
Muitos americanos, marido inclusive, são mais fanáticos por esses times que os profissionais, como a NBA ou a NFL.

Utah Utes ♡. fonte da imagem.

11. Escovar os dentes após o almoço
Americanos têm hábitos "normais" de higiene, e isso inclui, claro, banhos diários e visitas frequentes ao dentista. No entanto, o banheiro da firma depois do almoço está sempre vazio, já que eles não têm o costume de escovar os dentes após as refeições, mas apenas chupar uma bala ou mascar um chiclete.


12. Caixa "self service"
Diminuir a quantidade de interações humanas necessárias é um dos meus objetivos na vida, e essas máquinas de self-checkout são o paraíso para quem também não é lá muito social. Você mesmo passa sua compra no código de barras, coloca na sacolinha e paga. Tudo sem precisar engatar uma small talk com ninguém.

fonte da imagem.
13. Placas de carro
Quando você compra um carro, você pode escolher o design da placa de acordo com o estado onde licencia o veículo. Cada estado possui uma coleção de designs representando monumentos, ou outras características do lugar, além das "placas especiais", as quais você paga uma taxa para apoiar causas,  campanhas, times, faculdades, etc. Para se ter uma ideia, essas são as placas normais em Utah, e essas são as especiais. Acaba sendo sempre divertido, durante road trips, tentar encontrar todas as placas pela estrada.


14. Trânsito
Utah, assim como boa parte do país, é um lugar quase-que-exclusivamente feito para carros, e você acaba se sentindo uma extraterrestre se decide caminhar fora dos bairros residenciais. Além de se ver bem sozinha na empreitada, ainda irá se deparar com longos trechos e avenidas inteiras sem calçada.
Algumas leis de trânsito também acabam sendo confusas, já que conversões em U são perfeitamente normais, assim como virar à direita sempre. Não importa se tem uma faixa de pedestres ali, ou se o farol está fechado, contanto que não tenha um pedestre atravessando, ou um carro a caminho, virar à direita é sempre permitido.


15. Encomendas
Talvez um dos hábitos que mais me assustou no começo. O negócio é o seguinte: se sua encomenda chega e você não está em casa, os entregadores simplesmente a deixam na porta. E lá ela fica até que você a recolha.
Já tive encomendas que ficaram na porta de casa por dias a fio, e fiquei aliviada pela chuva ser evento raro em Utah.

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Apesar de já ter assimilado muita coisa, ainda costumo apontar essas pequenas diferenças sempre que me dou conta. Acredito que todo mundo que se muda para outro lugar (incluindo trocar de região dentro do próprio país, por que não?), não consegue deixar de reparar esses pequenos detalhes que, aos poucos, acabam fazendo parte do nosso cotidiano.

E você? Quais os costumes diferentes de onde mora?

16 comentários

  1. Meus preferidos são: 08, 12 e 15. Queria que já fosse assim no Brasil.

    Aqui no Rio não to lembrando de nenhum hábito muito diferente 🤔

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    1. Encomenda na porta eu acho que está muito longe de ser realidade no Brasil porque aqui já há consenso que tudo que está na calçada é lixo ou doação.

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    2. Olha, eu acho que nem em todos os estados é possível fazer essa coisa da encomenda na porta. Mesmo porque já li alguns artigos aqui
      sobre como se proteger para não ter seus pacotes roubados da sua porta, e a Amazon começou um sistema que os entregadores entram na sua casa e deixa seus pacotes lá dentro (preciso pesquisar mais a respeito). Mas aqui em Utah, especialmente me bairros residenciais, é bem tranquilo.

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  2. isso dos sabores de refrigerante me fez entender por que o john travolta pediu vanilla coke em pulp fiction: agora tudo faz sentido hhahahaha
    adorei saber dessas pequenas curiosidades sobre utah!

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    1. Hahaha, nossa, ótima referência!
      A minha favorita é a coca cola de cereja com baunilha, mas não dá para tomar muito, porque é super enjoativa!
      Beijos!

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  3. Sou brasileira, mas passo muita raiva com a falta de pontualidade das pessoas. Em qualquer país civilizado isso deveria ser normal.

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    1. Jura, Helen? Eu sou tão atrasada pra tudo! :(. Ainda mais tendo crescido em SP onde, nem sempre, o seu horário é controlado por você mesma. Mas aqui não tem muito essa história, poucos minutos e a consulta ou o compromisso já é cancelado. Preciso me policiar e acabei ficando um pouco mais pontual (ainda não o suficiente para não deixar o marido louco hahaha).
      Mas parabéns por já ter essa pontualidade. Acredito muito que isso é um sinal de respeito ao próximo.
      Beijos.

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  4. Menina, estou chocadíssima com as propagandas de remédio e com a concorrência descarada também hahahah
    Adorei esse post!
    Beijos!
    A Menina da Janela

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    1. Sério, as propagandas de remédio aqui são um convite à ansiedade! Umas imagens bonitas passando, e o narrador citando inúmeros efeitos colaterais. Era mais fácil passar um texto na tela mesmo rs.
      Beijos!

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  5. Drive Thru em banco, que maravilhosidade é essa? Tb odeio ir ao banco, com uma coisa prática assim faria essa atividade chata bem menos chata, né?
    E chocadíssima com esse milkshake hahaha, que isso gente.
    Adoro ver essas listas, Kari!

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    1. Taís! <3
      Nossa, eu acho que só gostei de ir ao banco na vida quando era criança, e, acompanhando minha mãe, sonhava em poder fazer todas aquelas "coisas de adulto". Daí a gente cresce e descobre o quanto essas "coisas de adulto" são insuportavelmente chatas. Agradeço sempre pelo drive thru, e não precisar ficar na fila do caixa :(.

      Eu amooo listinhas tb! Ia adorar ler uma sobre a Irlanda, que tal? ;).
      Beijos!

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  6. tava aqui lendo algumas partes do teu post para o namorado (quando leio teu blog ele sempre vem com "ah é aquela menina que gosta de basquete? haha) e falei desse último da entrega. eu fiquei meio chocada porque né a gente sempre compara com o brasil mas na real a diferença cultural quanto a respeito e propriedade alheia é bem diferente, não é mesmo? haha ele ainda falou: aqui se ninguém roubar os cachorros da rua roubam HAHAHA ai socorro

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    1. Nossa, Bá, ainda preciso escrever um post sobre basquete e meu amor incondicional pelos meninos do Utah Jazz <3
      Hahahaha onde eu morava no Brasil (era tipo um condomínio de casas geminadas), de certa, se alguém não roubasse, eu ia encontrar meu pacote todo aberto, porque a curiosidade dos vizinhos era INSUPERÁVEL!
      Aqui, meu passaporte chegou com o visto para o Japão, e ficou lá na porta o dia todo, até eu chegar em casa para pegar. Confesso que me deu um medinho, mas há que se ajustar à cultura, né?
      Beijos!

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  7. Eu amo esse tipo de post comparativo entre outros países e o Brasil. É como sair de uma bolha onde tudo funciona de uma forma, né? Tive um choque cultural muito forte na Alemanha que, no começo, me fez detestá-la, mas depois já queria incorporar as coisas na minha vida. AAAA tô pensando fazer sobre lá inspirado no seu post, Kari!

    A curiosidade mais impressionante que achei foi a do DriveThru do banco. O QUE OS AMERICANOS NÃO PODEM INVENTAR? Eu me pergunto sempre que sai uma engenhoca de lá. Achei o máximo essas placas diferentes dos carros e achei as comuns mais legais. Estou doida? E em questão das encomendas: tenso. Só em país de primeiro mundo pra isso funcionar mesmo kkkkkkkkkkk

    <3 beijos

    http://pinkismycollor.wordpress.com

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    1. Faz siiim, Larie <3. Eu acho as coisas aqui nos EUA até que bem similares ao Brasil, acho que na Alemanha o choque cultural deve ser ainda maior! Ia adorar ler sobre as diferenças.

      Eu gosto das placas comuns também! Mas confesso que ando pensando em fazer uma da faculdade, só porque né. Aquele orgulho bobo de estudante. O que acho legal nas placas especiais é poder apoiar uma causa e o dinheiro ser revertido praquele propósito :). É uma boa forma de ajudar. Um exemplo fofo é essa de apoio à vida selvagem: https://wildlife.utah.gov/about-us/1358-wildlife-license-plates.html <3

      2 anos e eu ainda me sinto esquisita pensando que minha encomenda vai chegar e ficar lá na porta :X.

      Beijos!

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  8. As diferenças que mais gostei: visitas com objetivos, liberdade para andar com roupas confortáveis e encomendas que podem ficar na porta, sem que sejam roubadas.

    Certa vez meu tio comentou que na empresa onde trabalha há muitos estrangeiros, e eles acham bem estranho o costume brasileiro de visitar as pessoas, marcar um jantar, uma festinha, qualquer coisa, e ficar enrolando até ir embora.

    Acho improvável que um brasileiro consiga ser tão seco assim, embora existam aquelas visitas que a gente até reza para ir logo embora hahaha

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