O que aconteceu aqui?

Uma das coisas que mais me apavoram nesse mundo blogueiro sempre foi a falta de privacidade. De 14 anos nessa vidinha, calculo, pelo menos, metade deles em sistemas fechados (saudades, livejournal), ou com posts completamente desatualizados, graças a um medão in?-justificado de me expor. Claro, existe ainda todo um histórico de bloqueio criativo, semestres puxados na faculdade e saco cheio de internet, mas só eu sei o quanto minha timidez virtual tem sua parcela de culpa nesses hiatus.

Eu nunca fui de divulgar o blog pessoal para colegas de trabalho ou "conhecidos", inclusive sempre tomei o devido cuidado de evitar que algumas dessas pessoas chegassem até ele. Veja bem, acho lindo quem compartilha tudo nas redes sociais - se for canal do youtube então, nível de desprendimento ultra mega master que jamais vou alcançar nessa vida -, mas eu nunca me sentiria confortável sabendo que o mocinho do rh, ou a tia do ex-namorado, leram exatamente o que eu penso sobre as doutrinas sociais duvidosas que eles insistem em defender.

Na verdade, acho que estou sendo até superficial; essa questão vai muito além de convívio profissional barra liberdade de expressão. É, principalmente, poder impor limites no quanto os tais acquaintances sabem sobre você, e no quanto isso pode afetar suas relações sociais obrigatórias. Uma coisa são seus amigos, virtuais ou não, pessoas que você associou à sua vida por livre e espontânea vontade, lendo e dividindo experiências sobre vida amorosa e crises existenciais. Outra, bem diferente, são as pessoas que a vida impôs a você.


Bom, agora que você já está inteirado sobre meu leve pânico associado a privacidade & blogs pessoais, posso te contar exatamente o que aconteceu em uma tarde de terça-feira. Para resumir, aquela outra rede social fez o favorzão de mandar convite para curtir a página do blog assim, para todo mundo, sem filtros e sem minha permissão. Tá, não foi bem desse jeito, desconfio que tenha acontecido em um daqueles meus momentos super pacientes, de sair clicando OK para tudo quanto é aviso, mas ainda assim, por razões óbvias, não era minha intenção.

Depois de passar pelos 5 estágios do luto (isso porque estou suavizando o drama aqui), percebi que já estava mesmo descontente com a proposta do blog há algum tempo. Preferi fechar tudo e recomeçar, dessa vez usando meu antigo domínio, e voltando a ser o diarinho que me trouxe a esse mundo blogueiro em primeiro lugar. Mantive alguns dos posts impessoais, trouxe textos do antigo blogspot, dei um tapa no layout, e, em uma corajosa empreitada para vencer minha vergonhinha virtual, escrevi até uma dessas páginas Sobre mim.

Ainda quero falar sobre viagens, literatura, culinária e fazer resenhas, porém usando menos uma ótica impessoal, e mais minha própria perspectiva. Blogs de dicas são legais e tudo, mas minha paciência acaba quando a adaptação SEO friendly começa. Em tempo, não fiz uma página na outra rede social para esse blog. Acho melhor assim.

2 comentários

  1. Me identifico totalmente com o seu texto. Às vezes quero escrever sobre algo e fico pensando o quanto aquilo poderia me expor além da conta. É um receio que ficou ainda mais forte depois de um período turbulento que passei, onde tudo o que eu queria era desaparecer e ser esquecida.

    Além disso, anos atrás eu tive uma experiência desagradável com essa exposição. Eu escrevia muitos desabafos num blog, tudo em textos enigmáticos e cheios de metáforas, mas o problema é que ele começou a se tornar conhecido, a quantidade de acessos saiu do controle e de repente até o dono da empresa onde eu trabalhava lia os meus textos.

    A maioria das pessoas me elogiavam; um dos meus chefes até sugeriu transformar os textos em um livro, mas era chato. Me senti invadida, principalmente porque esse meu lado “escritora” sempre foi algo que mantive escondido da vida real.

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  2. Olha, você tem razão. Hoje em dia todo cuidado é pouco! Eu assim como a Larissa costumava a compartilhar muita coisa pessoal mesmo até que soube de um caso de uma amiga que mesmo escrevendo o blog em português, tinha conhecido dela vindo na rede e usando o google translator pra saber o que ela estava falando. Tem coisas que a gente divide com todo mundo. Outras muito pessoais podem ser dividas com amigos de confiança por email, até porque nem todo mundo entende de que anglo a pessoa está escrevendo e às vezes acaba banalizando “uma obra de arte” com comentários sem fundamentos.
    Beijos!

    http://vivendolaforanoseua.blogspot.com/

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